A busca pela composição de uma ordem internacional mais justa e equitativa e a promoção e alcance de um mundo multipolar equitativo e ordenado, só terá possibilidade de êxito se for alicerçada em um processo de globalização econômica universalmente benéfica e inclusiva.
A “Declaração de Futuro Compartilhado” entre Brasil e China, pode indicar a sinalização de um caminho para essa nova composição inclusiva, e pode significar, pela aproximação inédita entre os dois países, a possibilidade do Brasil deixar de ser apenas um fornecedor de commodities no mercado mundial para ser um parceiro no contexto de uma ampla integração econômica com os chineses:
- Promovendo o desenvolvimento sustentável para os dois países, através da cooperação internacional e da cooperação Sul-Sul;
- A partir do compartilhamento de melhores práticas.
Dessa forma, no aniversário de cinquenta anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre o Brasil e a China, com a decisão de elevar as relações bilaterais à “Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil-China por um Mundo mais Justo e um Planeta mais Sustentável”, sob a orientação dos dois chefes de Estado:
- Estão sendo criadas expectativas sobre a possibilidade de condução do Brasil para trilhar um caminho de desenvolvimento justo, inclusivo e sustentável (livre da fome e da pobreza);
- Através do estabelecimento de sinergias estratégicas que podem impulsionar a atualização e o melhoramento dos nossos processos de modernização.
Nesse sentido, avançar a parceria bilateral nesse processo de estabelecimento de sinergias estratégicas, pode significar prover o Brasil de infraestrutura com auxílio da China:
- Destacadamente no que se refere a rodovias, estradas de ferro e participação como parceira em projetos orientados para a industrialização e modernização;
- Principalmente nas regiões norte e nordeste do país – regiões menos desenvolvidas nesse aspecto.
A parceria proposta entre os dois países, orientada para a formação de um futuro compartilhado, elegeu prioridades para o desenvolvimento de cadeias produtivas, investimentos, transformação ecológica, ciência, tecnologia e inovação, e reconheceu o potencial de cooperação existente nas áreas de defesa e da indústria de defesa – com as partes reconhecendo que precisam e devem intensificar contato para estudar novas iniciativas de alto nível nessa área.
A parte brasileira reiterou que adere firmemente ao princípio de Uma Só China, reconhece que só existe uma China no mundo e que Taiwan é uma parte inseparável do território chinês, enquanto o Governo da República Popular da China é o único governo legal que representa toda a China – apoiando os esforços da China para realizar a reunificação nacional pacífica:
- A parte chinesa manifestou grande apreço a esse respeito;
- E atribuiu grande importância à influência e ao papel que o Brasil exerce em assuntos regionais e internacionais, afirmando que compreende e apoia a aspiração do Brasil de desempenhar um maior papel na ONU, inclusive no seu Conselho de Segurança.
As partes, em conjunto, reiteraram o apoio à autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e ao seu papel central na manutenção da paz e da segurança internacionais e na promoção do desenvolvimento:
- Mas reconheceram a necessidade de reformar a ONU e seu Conselho de Segurança, com vistas a torná-los mais representativos e democráticos;
- Enfatizando a necessidade de impulsionar as reformas necessárias e adequadas do Conselho de Segurança, para permitir que um maior papel seja desempenhado pelos países em desenvolvimento – e que a composição do Conselho possa responder adequadamente aos atuais desafios globais.
Restou claro, que, como importantes representantes do Sul Global e membros do G20 e do BRICS, Brasil e China possuem posições convergentes nos grandes temas internacionais e regionais e enfatizam a defesa da promoção da governança global baseada no multilateralismo, no direito internacional e nos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas.
Enfim, às vésperas de uma nova era Trump, apesar da estratégica cautela geopolítica por parte do Brasil, o aprofundamento nas relações sino-brasileiras (na forma como está sendo proposto), pode ser mais que um ajuste preparativo para uma era Trump de maior confronto comercial: para o Brasil pode significar(?) uma mudança de paradigma e a libertação da ditadura rentista neoliberal(?), e para a China, pode representar a reafirmação da sua liderança no comércio e na economia mundial e a centralização do futuro global na perspectiva do seu modelo bem sucedido de socialismo de mercado. Resta saber, “como diria Garrincha” – já combinaram isso com os Russos EUA?