Os anos setenta do século passado foram anos de grande crescimento econômico. Os anos vinte deste século têm sido anos de desempenho medíocre da economia brasileira.
Naqueles anos, no passado, se falava em desenvolvimento, em crescimento econômico, em planejamento, em planos nacionais. Os economistas olhavam para o futuro do país. Nos anos atuais só se fala em inflação, em taxa de juros, em arrocho fiscal. Os economistas, hoje, olham para o passado. Os cinquenta anos que separam as duas décadas mostram o desastre que a hiperinflação trouxe para a esperança de um futuro melhor.
Para quem conviveu com a inflação, até a década de setenta, sabe que ela só se torna um problema quando sai do controle e isto não está associado ao seu nível e sim ao principal fator que leva ao seu descontrole, que é a escassez aguda de divisas.
Esta foi a causa da hiperinflação alemã e dos países centrais da Europa, pós Versalhes, da hiperinflação no Brasil, após ida ao FMI, graças ao senhor Volcker, da recente hiperinflação argentina, após, também, da ida daquele país ao mesmo fundo. Com reservas, de mais de trezentos bilhões de dólares, esta ameaça inexiste para o Brasil.
Logo a insistência que se observa nos artigos de economia, em só falarem de inflação, não são só reflexo do desejo do mercado de auferir ganhos, com o uso de política monetária pelo seu preposto, o Banco Central, mas são, também, resultado da decadência cognitiva, ou do desconhecimento teórico e prático, de expressiva parcela dos economistas no Brasil, sobre os princípios da ciência econômica.
Com um país com o potencial do Brasil urge voltar a se falar em artigos sobre economia, sobre planejamento econômico, crescimento do parque fabril, desenvolvimento nacional, planos nacionais de metas, de progresso e de riqueza.
Temos de reverter essa tendência ao fracasso que os artigos de economia apresentam. O que move o futuro é o sonho do desenvolvimento e não o medo da inflação!