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Como empresário ícone do setor produtivo do capitalismo americano, Donald Trump está empenhado em ocupar Gaza, destruída pela dupla fascista Biden-Netanyahu, deportando palestinos, por razões econômicas: exportar investimentos externos para combater a queda da taxa de lucro interna por conta da superacumulação de capital nos Estados Unidos.
A lucratividade do capital superconcentrado não se realiza mais satisfatoriamente na produção por duas razões principais:
1 – O mercado financeiro remunera mais do que a produção de bens e serviços em crise de realização de lucros; e
2 – Os Estados Unidos perderam competitividade para a China.
O estímulo à produção está bloqueado pela financeirização especulativa, que induz às importações por conta do juro alto mantido pelo FED, para evitar excesso de liquidez internacional, capaz de levar à hiperinflação, no ritmo frenético de crescimento exponencial da dívida pública americana.
As importações crescem com a financeirização que desvaloriza as moedas internacionais, favorecendo a competitividade das concorrentes das empresas americanas.
Por isso, a China está deitando e rolando.
Já, já, as empresas americanas estarão sendo desvalorizadas na bolsa, levando os acionistas a jogarem nas empresas chinesas, mais lucrativas.
O exemplo das big tec chinesas é o exemplo mais evidente, deslocando as concorrentes americanas e jogando para baixo a valorização destas.
Trump, como homem de negócios, sabe que os Estados Unidos não vencem a concorrência para criar empregos internamente, enquanto as moedas concorrentes estiverem se desvalorizando em relação ao dólar.
Ele protesta contra as altas taxas de juros americanas, mas o FED, dominado pela plutocracia do mercado financeiro especulativo, que financia as guerras, não se dobra ao presidente, mantendo a taxa elevada ou, pelo menos, onde está.
O juro alto americano mantém a inflação baixa nos Estados Unidos porque desvaloriza as moedas dos exportadores para os Estados Unidos.
Isso é justamente o que Trump não quer, mas poderá não ter força para virar esse jogo entre o capitalismo produtivo, que ele representa, e o capitalismo financeiro, que Biden, por exemplo, representa, fazendo jogo da expansão da guerra.
Como o juro americano é o principal combatente da inflação, por desvalorizar as moedas concorrentes, a fim de impedir hiperinflação nos Estados Unidos, as empresas americanas, em contrapartida, sofrem desvalorizações relativas de suas ações, cujas consequências são redução relativa de sua taxa de lucro.
O capital sobreacumulado das empresas americanas está sendo realizado na especulação, para compensar queda da taxa de lucro, razão pela qual continuam concentrando capital, mas não mais na produção e, sim, na esfera da financeirização.
FINANCEIRIZAÇÃO FAVORECE CHINA
A super concentração de capital especulativo acentua a redução do lucro na produção, dada a impossibilidade da concorrência com a China, por exemplo, cuja estratégia macroeconômica não é determinada pela financeirização improdutiva.
O gargalo que Trump enfrenta, portanto, é o de ver o seu discurso protecionista naufragar, porque pode não gerar resultados em favor dos investimentos internos, para elevar a taxa de emprego, enquanto a taxação das importações eleva a inflação, obrigando a FED a sustentar juros altos.
É o confronto decisivo entre o capital especulativo, que se descolou da economia real, com o capital produtivo, que está barrado pela super concentração de capital impulsionado pelo juro especulativo, destruindo a taxa de lucro no capitalismo produtivo.
Onde Trump, no curto prazo, tem condições de alavancar os investimentos imobiliários, por exemplo, a sua praia, para elevar a taxa de lucro dos empresários, afetados, internamente, nos Estados Unidos, pela financeirização especulativa?
Em Gaza, destruída pelos fascistas Biden e Netanyahu, que tentaram destruir a Palestina e expulsar os palestinos, sendo, fragorosamente, fragorosamente, derrotados.
Do ponto de vista do capital produtivo americano, afetado pela super concentração de capital financeiro, Trump abre chances para investimentos nos escombros da Palestina produzidos por Biden-Netanyahu.
A questão moral, no entanto, está se impondo sobre a questão econômica.
O mundo capitalista financeiro não quer a reconstrução de Gaza pelo capitalismo produtivo trumpista, e chama Trump de fascista, quando, na verdade, os fascistas são Biden e Netanyahu – e toda a estrutura produtiva e ocupacional de guerra americana – que estão por trás dos falcões de Washington.
Por incrível que pareça, a esquerda neoliberal na periferia capitalista está caindo no conto do vigário de ver Trump como o demônio, enquanto os fascistas da guerra, os sionistas e a OTAN se unem para a resistência.
Tentam reagir à proposta trumpista de fazer renascer o capitalismo produtivo americano no Oriente Médio, já que, nos Estados Unidos, a queda da taxa de lucro não deixa ele alavancar mais, sustentavelmente.
As contradições do capitalismo americano, portanto, estão em seu grau máximo rumo à decadência, em processo de implosão, porque o mundo reage contra a estratégia trumpista, taxando-a de loucura.