A reestreia de Getúlio Vargas na Câmara dos Deputados seria marcada por um gesto simbólico — e imprevisível — de sua parte.
No salão da Biblioteca Nacional que dava acesso ao plenário, ele se pôs à frente de um sujeito de rosto carnudo, lábios grossos e cabeleira negra, que vinha no sentido contrário.
O homem tomou um susto e quase não acreditou quando Getúlio o abraçou efusivamente, entre sorrisos, dando-lhe as boas-vindas.
Os que assistiram à cena também ficaram estupefatos.
O deputado Getúlio Vargas, lugar-tenente do borgismo na Câmara, abraçava Batista Lusardo, médico e advogado, ex-chefe do estado-maior das forças rebeldes que, poucos meses antes, lenço vermelho ao pescoço, andava trocando tiros em escaramuças contra as tropas legalistas de Borges de Medeiros.
Feito deputado federal graças à popularidade e à aura de bravura que conquistara nos campos de batalha, Lusardo era quase um símbolo da Revolução de 1923, um maragato por excelência, incorporado desde a primeira hora às tropas do Leão de Caverá.
“É um homem brigão, mas uma figura que merece o nosso respeito”, comentou ao abraçá-lo um bem-humorado Getúlio, para maior perplexidade dos que estavam em volta.
Teria início ali uma longa e acidentada amizade.
A despeito das diferenças que os separavam, os dois se tornariam próximos a partir daquele momento.