Os economistas tratam a política cambial com menosprezo: isto explica o regime de câmbio flutuante:
- A principal causa de distúrbios econômicos reside nos déficits em conta corrente ou balanços de pagamentos deficitários;
- A hiperinflação tem aí sua principal causa.
Ao olhar o desempenho econômico do governo de Miley essa afirmação tenderá a se fazer presente.
Ao assumir o governo, Miley fez uma desvalorização do peso de 50%. Depois, mês a mês, veio o desvalorizando a 2 % a.m.:
- Desvalorizando de início a moeda, Miley recompôs reservas mas não atenuou a inflação;
- O fez, depois, com as progressivas baixas desvalorizações.
Todavia, passado mais de um ano, com a inflação tendo caído para 3% a.m., o descompasso permanente entre a inflação e o câmbio levou a um progressivo e crescente déficit em conta corrente de mais de 1,5 bilhão de US$ em janeiro.
Mais moeda forte está saindo da Argentina do que está entrando. E a gradual valorização do peso está invertendo a competitividade que a economia argentina teve no início do governo Miley, competitividade, essa, ajudado pela sua boa safra, depois de 2 anos de quebra.
Agora, o Miley se defronta com o insolúvel problema de ter de desvalorizar sua moeda sem provocar inflação:
- Provavelmente vai apelar mais uma vez para o FMI para cobrir os seus déficits em conta corrente;
- E isso vai agravar ainda mais o passivo da economia argentina.
Enfim, a falta que faz um conhecimento por parte dos economistas da lógica que decorre de estudarem em livros de um país que tem o poder de dar curso forçado a sua moeda, se reflete na falta do entendimento que leva a uma política de câmbio flutuante como no caso brasileiro ou a uma não política de câmbio ajustado fixo e rolante como o caso argentino:
- Criou-se uma “verdade absoluta” no estilo tabu de que a única forma aceitável de o governo interferir na taxa de câmbio é via juro básico;
- Uma ideia bastante conveniente aos de sempre, aliás.
Jogam a Selic na Lua, injetando mais de R$1 tri anual de gasto com juros, para segurar o câmbio, Habemus bolsa rentismo, e se alguém tentar discutir políticas alternativas, é tratado como herege no altar no “livremercadismo”.
A única explicação para esse masoquismo econômico é que uma pequena e poderosa máfia se beneficia demais da nossa estagnação: e eles controlam o que é verdade e o que é mentira no debate público sobre essa questão.