O regime de câmbio no Brasil tem sido historicamente flutuante, com intervenções do Banco Central para suavizar oscilações:
- Uma abordagem que tem custos elevados para o país;
- Tornando-se um fator de instabilidade para a economia nacional.
Diante disso, a ideia de centralizar o câmbio e abandonar o tripé macroeconômico – câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário – apresenta-se como uma possibilidade factível para dar maior previsibilidade e controle sobre variáveis estratégicas para o desenvolvimento do Brasil.
O tripé macroeconômico (câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário) adotado no final dos anos 1990, tem imposto amarras ao crescimento da economia brasileira:
- O país fica exposto à volatilidade externa, prejudicando a previsibilidade dos agentes econômicos, as metas de inflação, forçando a adoção de juros elevados, inibem investimentos – encarecendo o crédito – e a obsessão com o superávit primário restringe gastos estratégicos, afetando infraestrutura e inovação;
- Enquanto o câmbio (excessivamente) flutuante, se torna refém dos humores do mercado financeiro global, gerando volatilidade que prejudica a indústria e o planejamento de longo prazo.
Derrubar o tripé, portanto, significaria abandonar os dogmas liberais que, na prática, colocam o Brasil em uma posição vulnerável no jogo da economia global, com uma redução crônica dos investimentos, estagnação do PIB, piora nas condições de emprego, endividamento das famílias e aumento da concentração de renda.
Em contraposição, o modelo de câmbio centralizado pode oferecer ao Estado a capacidade de melhorar a coordenação da política monetária e fiscal, evitando ataques especulativos e reduzindo a dependência do setor externo:
- Alternativa na qual, um regime de câmbio fixo e rolante, com o valor da moeda administrado dentro de bandas ajustáveis, é adequado conforme as necessidades da economia;
- Permitindo ao governo manter um câmbio competitivo para exportações, ao mesmo tempo, que evita choques bruscos na economia.
Dessa forma, manter um câmbio desvalorizado, de forma administrada, além de favorecer a indústria nacional, tornando os produtos brasileiros mais competitivos no exterior, reduzindo o impacto de importações que concorrem com a produção local:
- Estimula a substituição de importações, fortalecendo a indústria doméstica;
- Garante maior controle sobre déficits externos;
- E reduz a vulnerabilidade a fluxos de capitais especulativos.
Sem soberania sobre o câmbio e a política econômica, o Brasil seguirá refém dos interesses externos, incapaz de traçar seu próprio caminho rumo ao pleno desenvolvimento: com o câmbio centralizado e desvalorizado – e livre das amarras do tripé macroeconômico – o país pode garantir a possibilidade de elaborar um planejamento econômico robusto, alinhado com os interesses do desenvolvimento nacional e as reais necessidades da sua população.
Enfim, a adoção de um regime de câmbio centralizado pode trazer benefícios em termos de estabilidade e competitividade para o Brasil, e os riscos envolvidos com a implementação dessa mudança podem ser administrados através de um planejamento cuidadoso, incluindo reformas estruturais, melhoria do ambiente de negócios e investimentos em infraestrutura e inovação – além de uma gestão macroeconômica orientada para evitar desequilíbrios e manter a confiança dos mercados.