O ato esvaziado deste domingo, que prometia clamar por anistia aos criminosos do 8 de janeiro, mostrou o bolsonarismo acuado e sem força:
- O que se viu foram ruas vazias, líderes confusos e uma narrativa que já não convence nem parte da base fiel bolsonarista;
- Isso reforça um ponto central, o Brasil não pode recuar na punição dos responsáveis pelo ataque às instituições democráticas.
A tentativa de golpe, travestida de manifestação patriótica, foi um ataque direto à democracia:
- Quem invadiu e depredou o Congresso, o STF e o Planalto não são manifestantes injustiçados;
- Mas criminosos que tentaram impor à força uma ruptura institucional.
Tolerar esse tipo de ação sob o argumento de que eram apenas “cidadãos indignados” abriria um precedente perigoso:
- Afinal, se os responsáveis não forem punidos;
- O que impediria novas investidas contra o Estado de Direito no futuro?
O enfraquecimento do bolsonarismo nas ruas mostra que, sem a retaguarda do poder, o extremismo encontra dificuldades em mobilizar sua base:
- A ausência de grandes lideranças políticas no ato pela anistia revela que nem mesmo a oposição quer se associar abertamente à defesa dos golpistas;
- E isso indica que, para uma parcela da direita, apostar na impunidade pode ser um tiro no pé.
A democracia brasileira tem sido resiliente, mas precisa ser firme:
- O Brasil já pagou caro demais por pactos de esquecimento no passado;
- E quem atenta contra as instituições não pode ter passe livre para tentar de novo no futuro.
No entanto, é preciso reconhecer que a punição, por si só, não é garantia de que novas tentativas de golpe não acontecerão no futuro:
- A história está repleta de exemplos de governos autoritários e movimentos antidemocráticos que, de tempos em tempos, voltaram a emergir;
- O bolsonarismo acuado de hoje pode ser apenas a semente de algo mais radical amanhã, caso as condições políticas e sociais permitam.
O que houve no 8 de janeiro foi crime, e dos mais graves:
- Quem financiou, organizou e executou os ataques precisa responder perante a Justiça;
- A punição é um evento importante, mas não é garantia de que nossa democracia não será feita refém de grupos que se recusam a aceitar o resultado das urnas.
A importância da punição, portanto, não está apenas na repressão imediata aos golpistas, mas na construção de um país onde ataques às instituições sejam amplamente rejeitados pela sociedade.
Manter viva a memória do que aconteceu no 8 de janeiro, fortalecer a educação democrática e combater a desinformação são passos essenciais para que o Brasil não precise enfrentar, novamente, uma tentativa de ruptura institucional:
- Se o passado nos ensina algo, é que a democracia não se defende apenas com sentenças judiciais, mas também com vigilância constante e participação popular;
- A punição dos golpistas é um passo necessário, mas não suficiente, e o verdadeiro desafio é garantir que, no futuro, o extremismo não encontre mais terreno fértil para crescer.
A resposta tem que ser clara – golpe não se perdoa – se pune! Mas é preciso ir além da punição:
- Desarmar as bases que alimentam o extremismo e enfrentar as questões que geram frustração e ressentimento;
- E reconstruir um pacto democrático que torne inviável qualquer nova aventura autoritária.
O identitarismo é um nítido exemplo prático de como a direita se utiliza do lema “dividir para governar” e faz parte da política da burguesia para fomentar o divisionismo entre as massas oprimidas – com a política do “cada um no próprio feudo”:
- Pulverizando as questões nacionais, políticas e sociais (relacionadas à cidadania e à soberania);
- Que ficam perdidas em meio às parciais e específicas pautas identitárias espetacularizadas, transformando um fundamental espaço para promover a reflexão sobre formas de opressão na sociedade, num astucioso engodo (pensado e utilizado pela direita) para fazer a nossa esquerda esquecer o trabalhador e a soberania nacional.
O que está por trás da atual tentativa de golpe, como sempre, é um projeto de dominação (ver aqui, aqui e aqui), cujo objetivo é impedir que o Brasil tenha soberania sobre seus próprios recursos:
- Forçando o país a uma eterna dependência do capital estrangeiro;
- Enfraquecendo o Estado brasileiro para garantir que apenas grandes corporações e bancos internacionais tenham poder sobre nossa economia (o neoliberalismo).
Quem paga essa conta é o povo brasileiro, condenado à informalidade, ao desemprego e à precarização da vida!
Portanto, antes de qualquer coisa:
- É preciso combater a desigualdade e a absurda concentração de renda e de poder que permitem a proliferação da desinformação;
- E mobilizar energias para a luta pela criação de oportunidades para o pleno exercício da cidadania e melhoria da qualidade de vida de toda a população brasileira.
Entender o que a condução radical para lutas (cada vez mais fragmentadas e orientadas apenas por questões individuais e de grupos) representam para a reversão do perverso quadro de configuração dos nossos problemas sociais:
- E que, sem um combate sério à desinformação, sem o fortalecimento das instituições e sem um compromisso real com a democracia no cotidiano, direcionados (verdadeiramente) para a superação dos problemas sociais que afligem o povo brasileiro;
- Os golpistas de hoje podem se tornar os líderes do golpismo e de ameaças futuras amanhã – o Brasil já viu isso acontecer antes e não pode permitir que a história se repita.
A valorização do trabalho e o investimento em educação, ciência e tecnologia precisam voltar a ser os pilares para a edificação de um Estado forte, capaz de planejar e direcionar o futuro do país – livre de interferências externas – alavancando a infraestrutura nacional para um modelo de desenvolvimento orientado para os interesses e o bem-estar da população.
O trágico processo de destruição neoliberal sob o qual o Brasil está submetido, é o que realmente está por trás de todas as formas (aqui instituídas) de exclusão, e o golpe de 8 de janeiro não pode ser compreendido fora desse contexto.
Em síntese, Golpe não se perdoa – se pune – mas, acima de tudo, se previne com a elaboração de um Projeto de Desenvolvimento Nacional Soberano, Sustentável e Inclusivo, e a consequente libertação do Brasil das amarras do atual modelo econômico que privilegia o rentismo e a especulação, em detrimento da geração de empregos através da produção.