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Ucrânia: o vai e vem da Crimeia e a guerra da OTAN contra a Rússia

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Pedro Pinho
Pedro Pinho
Administrador aposentado.

 (Foto: Reprodução | Mapa Mundi)

A Rússia e o Ocidente sempre tiveram relações conflituosas, como amantes.

Ora intelectuais franceses iam abrilhantar os saraus de Moscou, mas precisamente de São Petersburgo.

Ora empresários estadunidenses iam buscar recursos naturais nas terras dos czares.

Sendo pessoas educadas mantinham as aparências.

O que não impediu que o Czarismo, o Império Russo estivessem sempre em guerra, um modo dos nobres passarem o tempo, se exercitarem e se divertirem a custa do povo.

A sucessão de um Império ou de um Reino europeu, até no Oriente Próximo, era sempre motivo de guerra entre as nobrezas.

Quando não havia troca de governantes, havia as Coalizões em disputa por nada, pois a maioria das sete coalizões, entre 1780 e 1815, terminou sem vencedor.

Vê-se que nem sempre as guerras foram tomadas com seriedade pelos que as conduziam, apenas o povo sempre sofria, diretamente com fome e doenças, indiretamente pagando este luxo dos nobres.

Este espírito aristocrático permanece na Europa neoliberal financeira do século XXI, insinuando sua defesa contra os bárbaros eslavos.

Porém, como acontecia com as coalizões dos séculos XVIII e XIX, nem todos desta nobreza, formada nos bancos e instituições financeiras, estão dispostas a arriscar seus bons empregos e suas popularidades, construídas com recursos públicos e pela mídia hegemônica, por uma guerra que só trará lucro aos empresários da guerra, quase exclusivamente estadunidenses, mas com ingleses e israelenses.

Iniciemos com as ocorrências na Ucrânia que também se vinculam às alterações na vinculação administrativa da Península da Crimeia.

Quando a Rússia e a Ucrânia eram parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), o então líder russo Nikita Kruschev, em 1954, cedeu a Crimeia à Ucrânia.

Parecia ser um ato de cordialidade, embora a Crimeia gozasse de privilegiada e estratégica posição geográfica, uma península entre o Mar de Azov e o Mar Negro, conectando a Ucrânia à Rússia.

Durante a Guerra Fria (1947-1991) esta alteração pouco significou, mas, ao se constituir a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), a Crimeia, sendo ucraniana e passando a ter facilidades no Mar Negro, subverte a geopolítica russa.

Em 2014, antevendo o conflito aberto pelo Ocidente na Revolução Colorida de Maidan, em Kiev (2013-2014), a Rússia recuperou a península da Crimeia, seu território por muitos anos, como indicam idioma, cultura, costumes e a própria história da península.

Invadida pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), ao contrário do que a mídia abastardada ocidental divulga, a Rússia, defendendo a população de idioma russo materno, vai expulsando estes agressores ocidentais, onde não faltam marginais recrutados como militares, e recuperando os territórios invadidos pela Ucrânia.

Os Estados Unidos da América (EUA), sob governos do Partido Democrata, inundaram de sanções e embargos o mundo com objetivo de prejudicar econômica e politicamente a Rússia.

Foi verdadeiro tiro no pé. Dados obtidos no Google apontam o crescimento de 4,1%, em 2023 e 2024, para Rússia, e de 2,5% a 2,8% para os EUA.

Mas não ficou apenas nestas estatísticas.

O povo estadunidense elegeu Donald Trump, que prometia o fim da guerra, derrotando amplamente os candidatos do Partido Democrata, e Putin venceu a eleição para Presidente, em 2024, com 87,3% dos votos.

PAZ OU TRÉGUA PARA SE REARMAR?

Amplamente derrotada, a OTAN, que pode ser vista como pseudônimo dos EUA, pede trinta dias de trégua.

Na sutileza de um uniforme, Putin responde que ou há paz ou a guerra prossegue.

Analisemos os interesses mais aparentes.

A guerra não interessa à Rússia, que já tem forças armadas mais eficazes do que todo ocidente representado não só pelos EUA como pela Confederação Europeia.

Mas a Rússia precisa investir em muitos outros segmentos para chegar mais perto da China, que está em patamar superior a todos demais países no que se refere ao estágio civilizatório.

Quanto aos EUA e a Europa, a miséria se vê nas ruas, local de moradia de imensa população, como ocorre no Brasil, com a diferença que lá faz frio.

E parte da vitória de Trump foi um pedido, que não será atendido, de olhar pelos desvalidos, com fome, doenças e desemprego.

A comprovação de que não terão atendimento está na foto do salão de posse de Trump, unindo bilionários do sexo masculino e brancos.

Poucas mulheres e um único negro, o ex-presidente Obama.

O de sempre, desde 1787, governos sob o poder plutocrático.

Mas a guerra, para Trump, desviará seus objetivos mais imediatos de dominar as plataformas de comunicação, como demonstra a presença, além do Secretário Elon Musk, do fundador da Amazon, Jeff Bezos, do CEO da Meta, Mark Zuckerberg, do líder da Apple, Tim Cook, e do diretor do Google, Sundar Pichai.

Os EUA, em recessão, não podem se dar o luxo de manter a guerra, caso contrário, perderão também o instrumento de dominação colonial: a informação dirigida e doutrinadora.

Não basta ter a educação falha. Para isso até o bolsonarista governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas é capaz.

É preciso ocupar a cabeça do povo com o que jamais subverta a ordem plutocrática.

E precisa, cotidianamente, com as mais diferentes questões, do futebol ao samba, do preço dos alimentos às filas nos hospitais, enchentes, queimadas e atropelamentos, além desta vida selvagem da falta de Estado, na insegurança das balas perdidas, estar o dia inteiro atuando, em todas plataformas e canais de informação.

Putin tem razão, ou se faz a paz ou a guerra continua.

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.

Original em: https://patrialatina.com.br/ucrania-o-vai-e-vem-da-crimeia-e-a-guerra-da-otan-contra-a-russia/

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