No Brasil, a plutocracia se enraizou historicamente como modelo de governança desde a colonização, com a economia estruturada para beneficiar a espoliação estrangeira e os grandes proprietários e comerciantes locais:
- A escravidão consolidou desigualdades que nunca foram reparadas;
- E o resultado foi a marginalização da maioria da população, que segue sem acesso pleno a oportunidades econômicas e sociais (ver aqui).
A política e a economia continuam permanentemente, até os dias atuais, refletindo essa estrutura excludente:
- O financiamento empresarial de campanhas garante que o sistema atenda, quase que exclusivamente, aos interesses das denominadas elites;
- A tributação regressiva penaliza os mais pobres;
- E a precarização dos serviços públicos (especialmente na saúde e na educação) – ardilosamente implementada pelos representantes das oligarquias locais, desprovidas de qualquer senso de pertencimento e empatia com o povo – dificultam a mobilidade social dos mais vulneráveis e perpetuam a concentração de privilégios para poucos.
Enquanto isso, a mídia corporativa, controlada por grandes grupos econômicos, reforça esse cenário, influenciando a opinião pública e legitimando políticas que favorecem as oligarquias locais, sempre subservientes aos interesses do grande capital transnacional:
- Um sistema que nega direitos e oportunidades básicas para a maioria das pessoas;
- Relegando-as à condição de ter que lutar para sobreviver, todos os dias.
Em busca do enfrentamento dessa situação, as décadas recentes foram marcadas por promessas de desenvolvimento interrompidas por crises políticas, econômicas e institucionais, e Lula, em seu terceiro mandato, tem diante de si o maior desafio da sua vida e também do Brasil:
- Reconstruir um propósito nacional de soberania (ver aqui e aqui);
- Unir o país em torno de um projeto de futuro e mobilizando toda a sociedade, trabalhadores, empresários, acadêmicos, jovens, etc;
- E estabelecer, nesse momento, um pacto social capaz de romper a paralisia imposta por um congresso sem o mínimo de comprometimento com as necessidades do país e um mercado financeiro que opera, com todas as forças, de forma contrária ao desenvolvimento nacional.
Sem essa mobilização (ver aqui e aqui), as pressões políticas e econômicas continuarão a limitar qualquer tentativa de transformação estrutural do Brasil:
- E, assim, o país que tem tantas riquezas naturais, um parque industrial ainda relevante e uma das maiores populações do mundo;
- Vai continuar afundando na desigualdade, na baixa produtividade e na instabilidade política que impedem o país de ocupar o papel que deveria ter no cenário global.
Em suma, a questão não é apenas econômica, mas principalmente política e simbólica, e o país precisa recuperar a autoestima e a confiança em si mesmo, sendo imprescindível, para esse desafio, atuar em algumas frentes fundamentais, tais como:
- O Estado retomar sua capacidade de planejamento estratégico, para garantir investimentos públicos que induzam o crescimento e gerem empregos de qualidade;
- Investir no fortalecimento da política industrial, para evitar que o Brasil siga apenas exportando commodities, sem maiores perspectivas de valor agregado;
- E, com o potencial imenso de energias renováveis, a transição energética ser vista como uma oportunidade de reposicionar a economia do Brasil no cenário mundial – mas, sem, de forma alguma, desperdiçar as oportunidades e conquistas já consolidadas diversificadamente na indústria nacional.
No entanto, nada disso será possível sem enfrentar significativos entraves institucionais, dentre eles:
- O denominado presidencialismo de coalizão, que se tornou um mecanismo de chantagem permanente – dificultando qualquer tentativa de governabilidade em prol dos interesses do país;
- E a urgente necessidade de realização de reformas políticas e institucionais visando evitar que o congresso siga atuando como um balcão de negócios – e continue a atender exclusivamente a interesses particulares e/ou externos – em detrimento do bem público e o bem-estar comum.
O risco de perdermos de vez o bonde da história é muito grande, mas ainda temos a chance de mudar a história do nosso país (ver aqui e aqui) – e oferecer ao povo brasileiro uma alternativa à economia política da exclusão e da escassez material:
- Lula tem experiência e carisma para conduzir uma mobilização nesse sentido;
- Mas o tempo está ficando cada vez mais escasso.
A disputa política nos próximos anos será intensa:
- As forças que apostam no fracasso do Brasil não estão dispostas a recuar;
- E o país precisa decidir se seguirá refém de suas limitações históricas ou se finalmente reencontrará o caminho da grandeza – estabelecendo uma mudança no paradigma de gestão da coisa pública (ver aqui).
A hora, mais do que nunca, é de lutar!
O futuro não está definido de forma indefectível, mas a escolha tem que ser feita agora:
- Reencaminhar o país de volta à sua vocação para a grandeza, nas reais origens da identidade brasileira no trabalhismo (ver também aqui e aqui);
- Se libertar da plutocracia (2.0), agora devotada a improdutividade do rentismo;
- E resgatar e ampliar importantes conquistas sonegadas à classe trabalhadora nos últimos tempos.
Enfim, viabilizar a recondução histórica do destino do Brasil de forma verdadeiramente nacionalista, de acordo com os interesses dos trabalhadores brasileiros e as reais necessidades de toda a população!
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