Apesar dos esforços de modernização, a indústria brasileira enfrenta um desafio estrutural:
- Não consegue romper com a dependência econômica;
- Apresenta baixa capacidade de gerar empregos de qualidade;
- E não tem promovido um crescimento sustentado e inclusivo, o que evidencia que o desenvolvimento industrial do Brasil reflete as próprias contradições históricas do país.
A posição subordinada e dependente da indústria nacional em relação às economias centrais reforça a consolidação de um modelo econômico que, mesmo após a abolição da escravatura, manteve relações de trabalho desiguais e exploratórias, sobretudo no setor agrícola:
- Sendo, justamente a superexploração do trabalho no campo o que vem sustentando historicamente o crescimento industrial;
- Fazendo com que o setor agrícola continue a ser um pilar fundamental da economia nacional, baseando-se, quase que exclusivamente, na exportação de commodities de baixo valor agregado.
Dessa forma, apesar do Estado brasileiro ter desempenhado um papel central na industrialização, como ocorreu em países do centro do capitalismo, sua atuação não rompeu com a lógica de dependência:
- As políticas públicas voltadas ao financiamento e à estruturação das cadeias produtivas garantiram a transferência de recursos do setor agrícola para a industrialização urbana;
- Mas também perpetuaram a exploração no campo, consolidando um modelo desigual de crescimento, cujo enfrentamento depende da iniciativa do Estado de reassumir seu protagonismo no planejamento e na execução de políticas capazes de promover um processo de industrialização orientado para gerar empregos qualificados;
- Reduzindo, assim, desigualdades – e fortalecendo a soberania econômica do país.
Apenas a força do Estado (e sua capacidade de investimentos, regulação, incentivos fiscais, etc.) é que pode garantir as condições para a superação desse modelo de dependência da nossa indústria e, se o Brasil não repensar sua política industrial e sua estratégia de desenvolvimento, vai continuar permanentemente refém de um modelo que não oferece a possibilidade de gerar crescimento de forma sustentável e promover justiça social.
O desafio está posto:
- Ou o Estado Brasileiro reassume seu papel como indutor do desenvolvimento;
- Ou o país vai permanecer na estagnação e perder completamente a sua capacidade de construir um futuro de autonomia produtiva e bem-estar social.
Em poucas palavras, é preciso mudar o paradigma da gestão dos destinos do Brasil e decretar a libertação da ditadura rentista/neoliberal que condena o Brasil à estagnação pela dívida.