O Nacional-Trabalhismo foi um ambicioso projeto de soberania nacional orientado para o desenvolvimento do Brasil em benefício do povo brasileiro:
- Fundamentado nos princípios do Trabalhismo, esse modelo de gerir o desenvolvimento e a economia do país buscou integrar as massas trabalhadoras brasileiras ao projeto de nação;
- Garantindo direitos e promovendo justiça social.
Um modelo que se diferenciou por buscar uma via própria de desenvolvimento, rejeitando tanto o liberalismo econômico quanto o controle estatal absoluto, característico de regimes autoritários, propondo a atuação do Estado como indutor do desenvolvimento nacional e do crescimento econômico, fortalecendo – ao mesmo tempo – os direitos dos trabalhadores e a economia do país.
A base teórica do Nacional-Trabalhismo foi formulada por intelectuais como Alberto Pasqualini, que enfatizou a necessidade de um Estado forte e desenvolvimentista, aliado aos interesses da classe trabalhadora (ver aqui e aqui).
Sob a liderança de Getúlio Vargas essa corrente política e econômica se consolidou ao longo do século XX, especialmente entre 1930 e 1954, com políticas voltadas à industrialização, à valorização do trabalho e à construção de um Estado soberano, tendo, dentre as principais medidas implementadas nesse período:
- A criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a expansão da previdência social, o incentivo à indústria de base e o fortalecimento das empresas estatais estratégicas, como a Petrobras e a Eletrobras;
- Iniciativas que não apenas modernizaram o país, mas também garantiram uma participação ativa da classe trabalhadora no processo de desenvolvimento e crescimento econômico – exaltando a cultura nacional e assegurando uma base de cidadania.
Após a morte de Vargas, João Goulart (Jango) e Leonel Brizola se tornaram os principais herdeiros políticos do Nacional-Trabalhismo:
- Goulart, como presidente, buscou aprofundar as denominadas Reformas de Base, que visavam a redistribuição de terras, a ampliação dos direitos trabalhistas e o fortalecimento da economia nacional;
- Já Brizola, destacou-se na defesa da educação pública e na luta pela soberania econômica, especialmente com a campanha da Legalidade e a resistência ao golpe militar de 1964.
Além das figuras centrais de Getúlio, Jango e Brizola, na tentativa de manter vivo o projeto trabalhista diante das adversidades políticas, outros pensadores, tais como Guerreiro Ramos e Darcy Ribeiro, contribuíram principalmente na defesa de políticas educacionais, sociais e econômicas voltadas à construção de uma nação autônoma e progressista.
No entanto, com a deposição de João Goulart e, posteriormente, o golpe militar de 1964, o projeto Nacional-Desenvolvimentista do Trabalhismo foi progressivamente sendo desmantelado e o Brasil passou a adotar modelos de desenvolvimento subordinados a interesses externos.
Atualmente, com a crescente influência do capital financeiro e a desmontagem de políticas estatais voltadas à proteção da indústria nacional e dos direitos dos trabalhadores, torna-se evidente que a visão do Nacional-Trabalhismo permanece como uma alternativa viável para a construção de um Brasil soberano e socialmente justo.
Resgatar o Nacional-Trabalhismo significa reafirmar o compromisso com a industrialização soberana, a valorização do trabalho e a construção de um modelo econômico que prioriza o bem-estar da população. Portanto, mais do que uma alternativa, trata-se de uma necessidade estratégica, para o Brasil, diante dos desafios do século XXI.
Em um cenário global marcado por crises recorrentes e crescente dependência de interesses estrangeiros, o Brasil precisa de um projeto nacional autônomo que combine desenvolvimento econômico com justiça social.
Para isso, é essencial que trabalhadores, intelectuais, empresários nacionalistas e forças políticas progressistas se unam em torno de um programa que reafirme o papel do Estado como indutor do desenvolvimento, garantindo a soberania econômica e a proteção dos direitos sociais.
Enfim, o Nacional-Trabalhismo não é apenas um legado histórico, é um caminho indispensável para que o Brasil supere seus desafios estruturais e retome sua vocação como uma nação forte, desenvolvida e socialmente justa.
O futuro do país depende da coragem de reconstruir esse projeto, colocando novamente o interesse nacional e popular no centro das decisões políticas e econômicas.