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Trumpismo Protecionista Reage Contra Tucanismo Antinacionalista Que Detona Indústria No Brasil

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Foto France Press

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acelera, a partir de hoje, guerra comercial com tarifas recíprocas, aprofundando protecionismo como arma para tentar proteger a indústria americana, age como se tivesse combatendo o tucanismo fernandista, que desindustrializou o Brasil e expandiu incontrolavelmente a dívida pública, em nome do combate à inflação para ganhar eleição, sobrevalorizando o câmbio, com o Plano Real, em 1994.

A sobrevalorização do real, na paridade 1:1 frente ao dólar, barateou as importações, mas quebrou a indústria, transformando a economia brasileira no paraíso dos importados.

Enquanto isso, destruiu empregos de qualidade com alto valor agregado, abrindo espaço para a deterioração dos salários, destruídos pela concorrência proporcionada pelo golpe cambial na hiperinflação.

A sustentação do câmbio sobrevalorizado forçou a alta dos juros que acelerou o endividamento bombeado pela mágica cambial.

O preço a pagar foi a transformação estrutural da economia brasileira, revertendo-a à condição de economia primária, visto que a prioridade passou a ser o agronegócio e produção mineral, por meio da isenção de ICMS sobre primários e semielaborados – com a Lei Kandir, aprovada em 1996 – sobre exportações.

Os Estados e municípios, que tinham no ICMS sua principal fonte de arrecadação, renunciaram à industrialização regional e se renderam ao endividamento bancário para pagar suas contas com aval da União.

A compensação financeira prometida pela União aos Estados, pela renúncia do ICMS, jamais aconteceu.

Consequentemente, o sistema federativo mergulhou na crise financeira onde se encontra atolado.

O resultado prático do tucanismo antinacionalista, antidesenvolvimentista, entreguista, fernandista foi o sacrifício financeiro do Estado como corolário natural da valorização cambial eleitoral que jogou o país na ciranda financeira especulativa, subjugado, agora, aos ajustes cambiais neoliberais que impedem o desenvolvimento econômico sustentável.

O ex-senador petista marxista do DF, Lauro Campos, que depois se filiou ao PDT de Brizola, taxaria FHC como “o primeiro anti-presidente do anti-estado anti-nacional anti-brasileiro”.

TRUMP COMBATE FHC

O presidente americano vai na linha oposta à de FHC: adota o protecionismo, que exigirá desvalorização do dólar, para que os Estados Unidos possam exportar e combater os concorrentes, em especial, os chineses.

Trump reverte um processo histórico.

Depois da segunda guerra mundial, os Estados Unidos, vencedores do conflito, sobrevalorizam o dólar e adotaram a estratégia de importar barato para combater a inflação e fazer dívida pública a juro baixo para continuar financiando conflitos bélicos e nucleares, como a nova potência global.

Déficit comercial como jogada para extrair riqueza alheia.

O superávit financeiro, proporcionado por moeda forte, pagava importações baratas que ajudavam os aliados – Europa, Japão e Canadá – a acumularem superávits comerciais na América.

O poder financeiro americano subjugou os cinco continentes, mas acumulou, com o superávit financeiro, endividamento crônico que jogou a economia mundial na financeirização global.

O preço a pagar foi a desindustrialização americana e perda de competitividade para a China, Europa, Japão e Canadá, que se transformaram nos maiores exportadores para os Estados Unidos.

Com Trump, o jogo muda, porque os capitalistas da produção e do consumo americanos estão quebrando, se o jogo da supervalorização do dólar continua.

Só ganham os rentistas às custas do desemprego, da fome e da desigualdade social.

Então, a estratégia trumpista, a partir de agora, é o protecionismo nacionalista imperialista tarifário recíproco.

Ela exigirá, como já prevê o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, desvalorização do dólar, como arma para exportar.

Antes, a valorização da moeda americana desvalorizava as demais moedas, que alcançavam competitividade para disputar o mercado mais poderoso, os Estados Unidos.

Se Trump, para recuperar a indústria americana e os empregos de qualidade, parte para a desvalorização como arma exportadora, os demais concorrentes, igualmente, terão que acelerar as desvalorizações.

Haverá, portanto, guerra comercial tarifária em ritmo frenético, cujas consequências são inflação e juros altos.

Os mais fortes bancarão o jogo enquanto tiverem forças para tal.

Já os mais fracos, como as economias devedoras latino-americanas, cronicamente dependentes de poupança externa, tendem a sucumbir.

Para enfrentar ondas de desvalorização cambial, os países dependentes não suportarão os ajustes fiscais impostos por Washington, como vem acontecendo desde os anos 1980, por meio de câmbio flexível, metas inflacionárias e superávits primários – o famoso tripé neoliberal – sob pena de passarem a enfrentar crises políticas explosivas.

O ajuste neoliberal passa a sofrer resistência política crescente no novo cenário trumpista.

O novo jogo econômico internacional, portanto, começa, prá valer, essa semana, quando Trump anuncia que generalizará tarifas recíprocas para proteger a economia americana.

O imperialismo muda de forma, mas não de conteúdo, porque dispõe da força para impor suas regras, se possível, até invasão territorial, como ameaça Trump na Gronelândia, México, Canadá, Venezuela etc.

Nesse contexto, o presidente americano só respeita os mais fortes: China, poder comercial, e Rússia, poder militar.

O resto, trata a pontapés.

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