A economia digital está redefinindo os padrões de crescimento, e o Brasil precisa acelerar sua adaptação ao desenvolvimento de tecnologias emergentes, tais como inteligência artificial, computação quântica, internet das coisas e conectividade 5G e 6G:
- Esses avanços abrirão novas oportunidades para indústrias estratégicas;
- E fortalecerão a competitividade do país.
Para garantir um futuro inovador e sustentável, é essencial a criação de um ecossistema robusto de pesquisa, a proteção de dados e uma governança digital eficaz.
Nesse contexto, a inteligência artificial e a biotecnologia podem se tornar ferramentas poderosas para melhorar os serviços públicos e aumentar a produtividade e a digitalização da agroindústria que, aliada às pesquisas avançadas em bioeconomia, reflorestamento e preservação da biodiversidade, podem posicionar o Brasil como protagonista global na sustentabilidade, garantindo produtividade sem comprometer o meio ambiente.
No entanto, apesar de não ser possível compreender a superação dos desafios estruturais do Brasil sem o avanço da ciência e da tecnologia, é preciso ter a clareza que esse processo só será efetivo se for inclusivo.
- A inovação não pode mais ser privilégio de poucos;
- E precisa passar a funcionar como o motor do progresso para toda a sociedade.
Para isso, é fundamental ampliar a formação de cientistas e profissionais da área tecnológica, romper o ciclo de exclusão histórica e construir um futuro baseado na equidade e no progresso compartilhado, garantindo acesso a oportunidades para jovens de diferentes estratos sociais e regiões.
Enfim, o futuro da ciência deve priorizar a redução das desigualdades e a democratização do conhecimento, estando o incentivo à pesquisa aplicada dirigido para soluções em educação, saúde e infraestrutura – e orientado para a transformação de realidades e promoção do desenvolvimento do país.
O caminho para o avanço científico e tecnológico no Brasil é promissor. Mas sua concretização exige compromisso político, investimentos estratégicos e uma visão de longo prazo, alicerçada em políticas públicas eficazes. Nesse sentido, em busca da transformação de diretrizes em realidade, esse processo depende da capacidade de aproximação e articulação entre governo, setor privado e comunidade científica.
Diversos países demonstraram que esse é o caminho e como essa estratégia pode gerar crescimento econômico sustentável e inclusão social:
- A Coreia do Sul, por exemplo, transformou-se em uma potência tecnológica ao investir pesadamente em pesquisa e desenvolvimento, estabelecendo parcerias entre governo, universidades e indústrias, e hoje abriga gigantes como a Samsung e a LG;
- Suécia e Cingapura seguiram caminhos semelhantes, apostando na colaboração entre setores públicos e privados na digitalização da economia e na qualificação da força de trabalho, garantindo um bem sucedido processo de inovação inclusiva;
- Enquanto a China, por sua vez, lançou programas nacionais para fortalecer a pesquisa científica e promover a inovação, criando parques tecnológicos que aproximam universidades e empresas.
O Brasil já conta com iniciativas importantes, como a Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), que fomenta inovação em parceria com o setor produtivo, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) estaduais, sendo a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) um dos maiores exemplos de sucesso da pesquisa aplicada no país. Entretanto, a escala de investimentos ainda é limitada frente ao potencial do país.
Em termos de comparação, enquanto a Coreia do Sul investe 4,8% do PIB em Pesquisa & Desenvolvimento, a Suécia (3,5%) e a China (2,4%), o Brasil investe apenas 1,2%, o que demonstra a necessidade de ampliação dos recursos.
Essa limitação de investimentos se reflete, por exemplo, na dependência do Brasil por insumos tecnológicos importados e na dificuldade de escalar projetos inovadores, salientando-se, ainda, que nesse ambiente tão competitivo relacionado ao desenvolvimento de tecnologias emergentes, a colaboração e o fortalecimento de parcerias não podem deixar de ser considerados. Sendo assim, além de aprender com as experiências externas, o Brasil precisa investir também na promoção de intercâmbio, atrair investimentos externos e garantir que o país participe ativamente das cadeias globais de inovação.
Ciência e tecnologia são pilares para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável e os investimentos estratégicos e o compromisso com um processo de inovação inclusiva são fundamentais para posicionar o Brasil como uma potência científica e tecnológica no século XXI. Isso depende fundamentalmente de políticas públicas e exige o engajamento de toda a sociedade (governos, empresas, universidades e cidadãos): o tempo de agir é agora.
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