Em meados de março, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, entregou ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) um lote de 180 mil hectares de terra.
A notícia surpreendeu os meios de comunicação brasileiros, que desconheciam a atuação internacional do grupo.
Ao postcast internacional da Sputnik Brasil apresentado pelos jornalistas Melina Saad e Marcelo Castilho, a integrante da coordenação política do MST na Venezuela, Rosana Fernandes, falou um pouco sobre o que está por trás desse reconhecimento pelo governo venezuelano, iniciado ainda durante o governo de Hugo Chávez (1999–2013).
Existente desde 2005, a parceria entre o governo venezuelano e o movimento agrário brasileiro se deu a partir de uma visita do então presidente Chávez a um dos assentamentos do MST no Rio Grande do Sul.
Lá, ao perceber a afinidade política e ideológica com o grupo, uma relação entre os dois foi formada, que culminou na desapropriação de terras para os camponeses.
Inicialmente, no ano passado, foi dado ao MST um lote de 10 mil hectares que hoje compõem a maior área de 180 mil.
Denominado de Grande Pátria do Sul, o assentamento busca formar no país projetos de educação popular e produção agroecológica, isto é, de uma agronomia em conjunto com a natureza que dispensa o uso de agrotóxicos.
“O MST está presente na Venezuela já há 20 anos, esse ano está completando, a partir de uma brigada organizada de militantes do movimento em várias áreas de atuação, educação, formação, produção, assim como questão de organização das mulheres.”
A experiência do assentamento, disse Fernandes, se insere dentro do maior projeto venezuelano de alcançar soberania alimentar do país, de modo a diminuir a necessidade de importar alimentos.
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