Foto Agência Brasil
A guerra sucessória de 2026 se iniciou, praticamente, com a derrota acachapante, de 346 x 97 votos, na segunda-feira, 16, do projeto governamental, que eleva as alíquotas do Imposto de Operações Financeiras (IOF), e com aprovação, no dia seguinte, terça, 17 do requerimento para a criação da CPI do INSS, colocando o presidente Lula em situação de vulnerabilidade.
Nas duas votações, nas quais o governo se revelou minoria para enfrentar a maioria de centro direita e ultra direita, valeu tudo contra as forças governistas: chantagens, boicotes, mentiras, mídia pró-oposicionista, de forma descarada, traições, pressão sionista nacional e internacional etc.
Há os otimistas oficiais que levantam a bandeira verdadeira de que o presidente Lula luta para taxar os ricos para favorecer os pobres, na tarefa de implementar ajuste fiscal, e que a corrupção no INSS antecede ao governo atual.
No governo Bolsonaro, ela corria solta, como os fatos demonstram, mas o rolo compressor da maioria, como aconteceu, ontem, na aprovação do requerimento pró-CPI do INSS, evidenciou a força do presidente do Senado, o sionista Alcolumbre, que abriu fogo contra o titular do Planalto, ausente do país, presente na reunião do G7, no Canadá.
Alcolumbre joga indisfarçadamente contra Lula pelos seus ataques a Israel, para favorecer a causa sionista, no caso do genocídio contra os palestinos e, agora, na guerra suja contra o Irã, amplamente, apoiada por Washington.
Contra Lula, nesse particular, age, também, o líder do PT, no Senado, o sionista baiano Jacques Wagner, que mais se desalinhou ao discurso do presidente contra o genocídio praticado pelo primeiro ministro Benjamin Netanyahu.
Antes de ser governista, petista, o senador Wagner, é sionista.
Os sionistas chegaram a mobilizar prefeitos de várias cidades brasileiras para prestarem apoio ao genocídio contra os palestinos, quando, ao irem a Israel, foram surpreendidos pelos ataques israelenses ao Irã.
Nesse momento, antes de se mostrarem sionistas, revelaram-se, simplesmente, covardes, apelando ao Itamarati, para se safarem do erro de cálculo político que cometeram em ir a Telavive, contrariando orientações do governo brasileiro.
MAIORIA ESMAGADORA CONTRA LULA
Nesse contexto político, a oposição será majoritária na CPI do INSS e, portanto, forjará o ambiente de fritura do governo, nos depoimentos e provas que serão levantadas contra ele, objetivando sua culpa no final das contas, para elaboração do relatório final dos trabalhos.
A conclusão dos trabalhos estará sendo elaborada por critérios políticos, não amparados em provas, como é da natureza de toda a CPI, motivada por fatores políticos ideológicos, assim como aconteceu com o julgamento de impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2016, para condená-la sem crime de responsabilidade capaz de caracterizá-lo.
Sobretudo, estará em causa, a sucessão presidencial.
Desse modo, podem estar equivocados os que levantam argumentos, mais do que justos, para dizer que a corrupção no INSS começou com Bolsonaro, não com Lula.
Pelos critérios políticos ideológicos já em cena, os interesses da maioria oposicionista, alinhada ao sionismo, empenhada em derrotar Lula, forjam as razões e as chances que deverão ser favoráveis a ela.
Trata-se de carta marcada, sem chances para os ingênuos.
QUE FARÁ O PT?
O que salvaria o governo seria a mobilização popular, para colocar abaixo, pela pressão política, advinda das ruas, as mentiras e chantagens oposicionistas, que se acumulam exponencialmente.
Mas, neste particular, as forças governistas jogam contra o tempo, que é curto.
A tarefa fundamental, nesse sentido, caberia ao PT, como partido que, um dia, já foi de massas, mas que, atualmente, encontra-se politicamente desmobilizado.
A desmobilização partidária da maior agremiação política brasileira e da América do Sul – talvez uma das maiores do mundo, nascida para resistir à ditadura de 1964 –, decorre da sua rendição à política neoliberal, que assumiu o poder pós-impeachment de Dilma Rousseff.
As bases sociais de resistência popular foram desmontadas e, consequentemente, os trabalhadores ficaram sem suas armas para reagir à altura ao neoliberalismo que implementou a financeirização geral da economia nacional.
Repete-se, historicamente, em relação ao PT, a pregação de Leon Trotski de que as derrotas operárias, no processo de luta contra a burguesia, decorrem, sobretudo, das traições de suas cúpulas dirigentes.
Nesse momento histórica, a cúpula petista, rendida ao neoliberalismo, sintoniza-se com a burguesia nacional, que tende a trair, escancaradamente, Lula, porque ela deixou de sobreviver por meio da economia real, para se realizar por intermédio da economia especulativa financeirizada burguesa.
A burguesia tupiniquim, teoricamente, somente voltaria a se engajar na causa nacional, se ocorresse o colapso da financeirização, na qual sua taxa de lucro se realiza, enquanto a economia real não sobrevive sob a taxa de juro Selic de 14,75% nominal, garantindo lucro real de 7% ao ano aos especuladores, frente à inflação de 4,5%.
Contraditoriamente, a burguesia tupiniquim, bem como os trabalhadores, foi cooptada pelo neoliberalismo, por sua vez, amplamente favorável ao sionismo contra o qual Lula luta bravamente, no campo internacional, como acaba de acontecer na reunião do G7, no Canadá.
SUCESSÃO PETISTA
A esperança de resistência ao status quo político sionista especulativo que tomou conta da elite nacional, dominante no Congresso, monitorada pela Faria Lima, para tentar derrotar Lula em 2026, é a mobilização do PT como partido de massas.
Os petistas, porém, estão irremediavelmente, divididos em pleno processo eleitoral, com a vertente dominante da agremiação sob pressão do governo americano para alinhar-se a Netanyahu e abandonar, consequentemente, apoio aos BRICS, cuja influência decisiva em suas fileiras é exercitada pela aliança poderosa da China e da Rússia, contra as quais o governo Donald Trump faz pressão máxima.
Lula, como presidente do BRICS, em 2025, está sob ataque maciço de Washington, para, ou abandonar a organização, o que, dificilmente, aconteceria, ou adotar posição de neutralidade.
No Canadá, na reunião do G7, nesta semana, o presidente brasileiro sentiu cheiro de pólvora.
Ninguém, entre os representantes dos países ricos, que, por sua vez, estão, profundamente, divididos entre si, frente à guerra tarifária de Trump, teve coragem de apoiá-lo.
Lula é um espinho atravessado na garganta deles.
Certamente, parte significativa dos europeus, contrários ao genocídio sionista, são simpáticos à resistência de Lula, que, no entanto, mantém-se sob desconfiança dos russos e dos chineses, por estar entre os ricos, que o detestam.
Restaria, agora, ao PT mover campanha internacional pró-Lula para alinhar-se à causa palestina e iraniana sob ataque do imperialismo, para romper com Israel.
Teria ou não ao seu lado a América Latina em sua luta pela integração econômica e política continental contra o imperialismo sionista?
Lula está na condição de Davi na sua luta contra Golias.

