Cadastre-se Grátis

Receba nossos conteúdos e eventos por e-mail.

Uma primeira-dama que está pondo em risco a reeleição de Lula nas eleições do próximo ano. Por Jose Carlos de Assis

Mais Lidos

José Carlos de Assis
José Carlos de Assis
Economista, doutor em Engenharia de Produção pela UFRJ, professor de Economia Internacional na Universidade Estadual da Paraíba e autor de mais de 20 livros sobre economia política.
Uma primeira-dama que está pondo em risco a reeleição de Lula nas eleições do próximo ano. Imagem desenvolvida por IA

Original em: https://www.tribuna.com.br/materia/281rio-de-janeiro/jose-carlos-de-assis/uma-primeira-dama-que-esta-pondo-em-risco-a-reeleicao-de-lula-nas-eleicoes-do-proximo-ano.html

Em 13 de maio último, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva,  Janja, como se recorda, criou grande constrangimento em encontro de Lula com o presidente chinês, Xi Jinping.

Pedindo a palavra para falar do TikTok, ela disse publicamente que o algoritmo usado pela plataforma favorece a direita, com o que levou a um plano político externo uma luta que deveria ser restrita ao campo interno.

No Youtube, segundo a CNN Brasil, um mês atrás, ela reclamou no ar que tinha sido vítima de machismo após o vazamento das declarações dela durante reunião da comitiva brasileira com o presidente da China.

Foi uma desculpa esfarrapada para um comportamento inapropriado.

 A reclamação dirigida diretamente ao presidente chinês sobre o TikTok, que Lula tentou justificar para o público externo sem muito sucesso, criou grande tensão e constrangimento no País, segundo o YouTube e o Uol.

Areação dele, ao ser questionado pelo Yoube, foi simplesmente criticar a própria polêmica. Contudo, naquela altura, era impossível evitar que a atitude da primeira-dama gerasse grande perplexidade na sociedade.

Ainda há um mês, Lula teve de falar de novo, publicamente, sobre o tema, ao próprio TikTok e Metrópoles, diante das perguntas dos jornalistas.

Frente a esses fatos, pelo menos oficialmente, o Itamaraty não quis se pronunciar.

Entretanto, segundo Veja, e conforme pode ser facilmente constatado nas redes sociais, Janja tem sido duramente criticada pela oposição e parte da imprensa que, justificadamente, consideraram inadequada sua postura na condição de primeira-dama.

A polêmica gerou curiosidade sobre a esposa de Lula na opinião pública, de acordo com os blogs.

As pessoas querem saber quem ela era antes da fama, e qual faculdade fez, e também sobre a empresa chinesa TikTok, e até mesmo o nome dessa plataforma antes de ser TikTok.

Alguns jornalistas, como Andréia Sadi, da Globo, alegaram que Janja protagonizou um climão no encontro entre o Presidente chinês e a delegação brasileira, ao pedir a palavra para falar dos efeitos negativos da atuação da rede TikTok no Brasil.

Isso soou extremamente negativo, por ser uma quebra de protocolo no encontro entre autoridades do País e as estrangeiras, mesmo porque Janja não tem cargo formal no Governo.

Jornais chegaram a dizer que, durante a reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja pediram uma intervenção no TikTok ao presidente chinês Xi Jinping.

Lula não melhorou a situação, ao tentar justificar a intervenção da primeira-dama como natural.

O jornal O Globo falou em pedido ao presidente chinês de “censura” à imprensa no País, o que seria uma violação de nossa soberania.

Se a primeira-dama tinha ou tem uma preocupação genuína com a atividade da bigtech chinesa no Brasil, ela deveria ter-se dirigido, internamente, ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que é o encarregado na Justiça das investigações sobre a atuação no Brasil das redes sociais e plataformas digitais internas e externas, como fez com o X.

E não levar a questão para o exterior, numa reunião pública, submetendo-a a uma autoridade estrangeira.

Na verdade, esta não tem sido uma atitude extravagante única de Janja.

Ela tem sido protagonista de gafes em várias situações que deixam o presidente Lula numa saia justa.

Durante a reunião do G20, em novembro do ano passado, ela mandou Elon Musk, publicamente, “a se f…”.

Na mesma reunião, violando o protocolo, recebeu o presidente da França, Emmanuel Macron, com um beijo na face, como se tratasse de uma reunião informal.

A primeira-dama montou uma antessala para si no gabinete de Lula, o que obriga ministros e outras autoridades que têm audiência com o Presidente a falar primeiro com ela, antes dele.

Para muitos, trata-se de uma situação extremamente constrangedora.

Enfim, o que se comenta em Brasília e nas redes sociais é que a primeira-dama está provocando um tremendo desgaste na imagem do marido.

Um blog estimou em “um milhão de votos” a perda eleitoral de Lula por causa da gafe chinesa.

O fato é que não é novidade que a primeira-dama se mete em assuntos que não domina, tornando-a um risco para a boa condução do Governo, por sua inequívoca influência sobre o Presidente.

Fiquei alarmado, por exemplo, quando soube de comentários dela segundo os quais as universidades federais são sorvedouros de recursos públicos inúteis, e uma fonte de desequilíbrio do orçamento público.

Isso é justamente a opinião da grande burguesia paulista, que está numa campanha para privatizar as universidades públicas, a começar das federais.

Diante do esgotamento do programa de privatização do Estado Empresarial pela atuação de Fernando Henrique Cardoso,  e de seus sucessores neoliberais, o que sobra, hoje, para vender, são ações minoritárias da Petrobrás, da Vale do Rio Doce e de outros entes públicos sem expressão econômica.

Isso torna a rede universitária e sanitária os únicos objetos públicos remanescentes para apropriação pelas oligarquias brasileiras.

É contra isso que decidimos lançar o movimento “Vamos Fazer o Brasil Grande de Vez”, apoiado no programa de expansão da organização de Arranjos Produtivos Locais, Regionais e Vocacionais no território brasileiro.

Vemos grande perspectiva nessa iniciativa, já que os Arranjos, reunindo em Sociedades Anônimas o Capital e o Trabalho, têm efetiva capacidade de promover o desenvolvimento sustentável do País “de baixo para cima”, a partir de suas potencialidades econômicas territoriais.

Janja, obviamente, não sabe disso.

Também não sabe, como a maioria dos críticos das universidades federais, que a UFRJ, a maior delas, com sede no Rio de Janeiro, a despeito de todas as restrições financeiras por que tem passado, passou do 401  lugar para 331, portando, subindo 70 posições, em levantamento realizado pelo Center for World University Rankings (CWUR).

É verdade também que de 53 instituições brasileiras de ensino superior, avaliadas pelo mesmo Centro entre as 2 mil melhores do mundo, 87% perderam posição.

Isso, contudo, exclusivamente, por falta de investimentos públicos, e não pelas razões ideológicas que Janja apresenta.

Com essas, o Presidente pode inclinar-se favoravelmente aos privatistas paulistas, como é o caso do jornal Folha de S. Paulo.

Portanto, é falso que o mau desempenho das universidades federais se deva à má qualidade da atuação de seu corpo docente.

Este, ao contrário, é a primeira vítima das restrições fiscais e monetárias que o regime neoliberal está impondo a todo o setor público, indiscriminadamente.

A única saída que vejo, a meu ver, enquanto durar essa política fiscal-monetária, é que as universidades sejam entregues ao controle e gestão de seus próprios trabalhadores, em Sociedades Anônimas, constituídas a partir de Arranjos Produtivos Locais onde haja grandes potencialidades econômicas para aplicação de trabalho cooperativo.

Artigos Relacionados

Glauber Fortalece Pauta De Esquerda No Congresso

Foto Rede 98 Fortalece a democracia e as pautas de esquerda, comprometidas com o desenvolvimentismo tocado pelo presidente Lula com valorização do social relativamente...

O Desafio de Defender a Soberania que Ainda Resta ao Brasil

O mundo contemporâneo reflete uma realidade implacável para um país como o Brasil sob a qual defender e manter a soberania é algo muito...

O Paradoxo do Governo Lula: Indicadores Econômicos e Sociais Relevantes, mas Não Consegue Comunicar Isso ao Povo

O prefeito do Recife, João Campos, reconhecido pela excelência no trabalho de comunicação do seu governo, em entrevista ao programa Roda Viva (ver vídeo),...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Em Alta!

Colunistas