Imagem desenvolvida por IAEm 13 de maio último, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, Janja, como se recorda, criou grande constrangimento em encontro de Lula com o presidente chinês, Xi Jinping.
Pedindo a palavra para falar do TikTok, ela disse publicamente que o algoritmo usado pela plataforma favorece a direita, com o que levou a um plano político externo uma luta que deveria ser restrita ao campo interno.
No Youtube, segundo a CNN Brasil, um mês atrás, ela reclamou no ar que tinha sido vítima de machismo após o vazamento das declarações dela durante reunião da comitiva brasileira com o presidente da China.
Foi uma desculpa esfarrapada para um comportamento inapropriado.
A reclamação dirigida diretamente ao presidente chinês sobre o TikTok, que Lula tentou justificar para o público externo sem muito sucesso, criou grande tensão e constrangimento no País, segundo o YouTube e o Uol.
Areação dele, ao ser questionado pelo Yoube, foi simplesmente criticar a própria polêmica. Contudo, naquela altura, era impossível evitar que a atitude da primeira-dama gerasse grande perplexidade na sociedade.
Ainda há um mês, Lula teve de falar de novo, publicamente, sobre o tema, ao próprio TikTok e Metrópoles, diante das perguntas dos jornalistas.
Frente a esses fatos, pelo menos oficialmente, o Itamaraty não quis se pronunciar.
Entretanto, segundo Veja, e conforme pode ser facilmente constatado nas redes sociais, Janja tem sido duramente criticada pela oposição e parte da imprensa que, justificadamente, consideraram inadequada sua postura na condição de primeira-dama.
A polêmica gerou curiosidade sobre a esposa de Lula na opinião pública, de acordo com os blogs.
As pessoas querem saber quem ela era antes da fama, e qual faculdade fez, e também sobre a empresa chinesa TikTok, e até mesmo o nome dessa plataforma antes de ser TikTok.
Alguns jornalistas, como Andréia Sadi, da Globo, alegaram que Janja protagonizou um climão no encontro entre o Presidente chinês e a delegação brasileira, ao pedir a palavra para falar dos efeitos negativos da atuação da rede TikTok no Brasil.
Isso soou extremamente negativo, por ser uma quebra de protocolo no encontro entre autoridades do País e as estrangeiras, mesmo porque Janja não tem cargo formal no Governo.
Jornais chegaram a dizer que, durante a reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja pediram uma intervenção no TikTok ao presidente chinês Xi Jinping.
Lula não melhorou a situação, ao tentar justificar a intervenção da primeira-dama como natural.
O jornal O Globo falou em pedido ao presidente chinês de “censura” à imprensa no País, o que seria uma violação de nossa soberania.
Se a primeira-dama tinha ou tem uma preocupação genuína com a atividade da bigtech chinesa no Brasil, ela deveria ter-se dirigido, internamente, ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que é o encarregado na Justiça das investigações sobre a atuação no Brasil das redes sociais e plataformas digitais internas e externas, como fez com o X.
E não levar a questão para o exterior, numa reunião pública, submetendo-a a uma autoridade estrangeira.
Na verdade, esta não tem sido uma atitude extravagante única de Janja.
Ela tem sido protagonista de gafes em várias situações que deixam o presidente Lula numa saia justa.
Durante a reunião do G20, em novembro do ano passado, ela mandou Elon Musk, publicamente, “a se f…”.
Na mesma reunião, violando o protocolo, recebeu o presidente da França, Emmanuel Macron, com um beijo na face, como se tratasse de uma reunião informal.
A primeira-dama montou uma antessala para si no gabinete de Lula, o que obriga ministros e outras autoridades que têm audiência com o Presidente a falar primeiro com ela, antes dele.
Para muitos, trata-se de uma situação extremamente constrangedora.
Enfim, o que se comenta em Brasília e nas redes sociais é que a primeira-dama está provocando um tremendo desgaste na imagem do marido.
Um blog estimou em “um milhão de votos” a perda eleitoral de Lula por causa da gafe chinesa.
O fato é que não é novidade que a primeira-dama se mete em assuntos que não domina, tornando-a um risco para a boa condução do Governo, por sua inequívoca influência sobre o Presidente.
Fiquei alarmado, por exemplo, quando soube de comentários dela segundo os quais as universidades federais são sorvedouros de recursos públicos inúteis, e uma fonte de desequilíbrio do orçamento público.
Isso é justamente a opinião da grande burguesia paulista, que está numa campanha para privatizar as universidades públicas, a começar das federais.
Diante do esgotamento do programa de privatização do Estado Empresarial pela atuação de Fernando Henrique Cardoso, e de seus sucessores neoliberais, o que sobra, hoje, para vender, são ações minoritárias da Petrobrás, da Vale do Rio Doce e de outros entes públicos sem expressão econômica.
Isso torna a rede universitária e sanitária os únicos objetos públicos remanescentes para apropriação pelas oligarquias brasileiras.
É contra isso que decidimos lançar o movimento “Vamos Fazer o Brasil Grande de Vez”, apoiado no programa de expansão da organização de Arranjos Produtivos Locais, Regionais e Vocacionais no território brasileiro.
Vemos grande perspectiva nessa iniciativa, já que os Arranjos, reunindo em Sociedades Anônimas o Capital e o Trabalho, têm efetiva capacidade de promover o desenvolvimento sustentável do País “de baixo para cima”, a partir de suas potencialidades econômicas territoriais.
Janja, obviamente, não sabe disso.
Também não sabe, como a maioria dos críticos das universidades federais, que a UFRJ, a maior delas, com sede no Rio de Janeiro, a despeito de todas as restrições financeiras por que tem passado, passou do 401 lugar para 331, portando, subindo 70 posições, em levantamento realizado pelo Center for World University Rankings (CWUR).
É verdade também que de 53 instituições brasileiras de ensino superior, avaliadas pelo mesmo Centro entre as 2 mil melhores do mundo, 87% perderam posição.
Isso, contudo, exclusivamente, por falta de investimentos públicos, e não pelas razões ideológicas que Janja apresenta.
Com essas, o Presidente pode inclinar-se favoravelmente aos privatistas paulistas, como é o caso do jornal Folha de S. Paulo.
Portanto, é falso que o mau desempenho das universidades federais se deva à má qualidade da atuação de seu corpo docente.
Este, ao contrário, é a primeira vítima das restrições fiscais e monetárias que o regime neoliberal está impondo a todo o setor público, indiscriminadamente.
A única saída que vejo, a meu ver, enquanto durar essa política fiscal-monetária, é que as universidades sejam entregues ao controle e gestão de seus próprios trabalhadores, em Sociedades Anônimas, constituídas a partir de Arranjos Produtivos Locais onde haja grandes potencialidades econômicas para aplicação de trabalho cooperativo.

