Nos últimos anos, tentaram nos convencer — através da manipulação política e o uso de um discurso de viés ideológico obviamente fascista — de que a brutalidade era um sinal de força, que empatia era fraqueza, e que cuidar do outro era uma ameaça à liberdade.
Tentaram apagar a nossa humanidade com discursos de raiva e ações de destruição. Mas o povo brasileiro, em sua maioria, não se reconhece nesse espelho distorcido:
- Apesar do ódio barulhento, da grosseria erguida como programa político e do desprezo pelo próximo — a alma do Brasil resiste;
- Nela ainda vivem — firmes, silenciosas, mas resilientes — a amabilidade, a solidariedade, o amor e a generosidade.
A nossa alma está nas rodas de conversa que atravessam gerações, nos mutirões que constroem casas e curam dores, nos terreiros onde a fé dança com o sagrado e a comunidade, nas festas populares onde o coletivo se celebra, nas mãos que se estendem mesmo quando há pouco a oferecer:
- Está também no abraço que consola;
- No sorriso espontâneo;
- Na comida dividida;
- E na fé inquebrantável na vida que segue — e que, em conjunto, pode e vai melhorar.
É esse Brasil profundo, ancestral — e invisível às análises apressadas —, que sustenta o país em tempos difíceis como agora:
- Um Brasil que, mesmo ferido, não perdeu sua ternura;
- Que, mesmo cansado, ainda canta, acolhe e sonha;
- Um Brasil que se opõe ao projeto de embrutecimento social promovido por aqueles que confundem autoridade com autoritarismo e liberdade com indiferença.
A sombra que nos tomou nos últimos anos — alimentada por ignorância, ressentimento e desinformação — não é maior que a luz que pulsa no cotidiano das pessoas comuns.
Uma luz que vem da nossa capacidade de resistir, de cuidar e de recomeçar:
- Conforme as palavras de Darcy Ribeiro, de um povo que continua a se formar, a resistir, a construir com as mãos e com o coração uma nação que ainda há de se realizar plenamente;
- Mas, pela via da cultura, da educação e da solidariedade — não da violência.
Ariano Suassuna, com sua sabedoria sertaneja e universal, dizia: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”.
É justamente sobre isso que esse texto trata: da alma que nunca nos deixou, do realismo para enxergar as dores e feridas do Brasil, mas também de se recusar a abrir mão da esperança. De perceber a esperança não como uma forma de ilusão — mas, sim, como um ato de resistência.
Agora, mais do que nunca, é tempo de reconstruir o país a partir dessa alma — que nunca nos deixou. Revalorizar o que nos torna únicos: nossa capacidade de acolher, de sorrir mesmo diante da dor, de confiar que o amanhã pode ser melhor, e será.

