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Futebol Brasileiro: Entre a Desorganização e a Genialidade Esquecida. Por Ricardo Guerra

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Apesar da soberba de muitos analistas europeus e da desorganização que ainda reina no futebol brasileiro, alguns dos nossos clubes vêm se reorganizando — e, sobretudo, seguem contando com talentos técnicos que não deixam nada a dever aos melhores do mundo:

  • Renato Gaúcho, por exemplo, é hoje um dos maiores treinadores do futebol global, como já foram, entre outros, Feola, Osvaldo Brandão, Cláudio Coutinho, Telê, Parreira, Felipão, Luxemburgo e Tite;
  • Ainda que subestimados fora de nossas fronteiras.

Há muitas formas legítimas de vencer uma partida de futebol — com posse de bola, com uma defesa sólida e contra-ataques fulminantes, jogando por uma bola, explorando bolas paradas ou dribles desconcertantes, e o que já foi considerado “futebol bonito” também mudou com o tempo:

  • Ora foi o drible, ora a tabela, ora a posse de bola. A verdade é que não existe no futebol um modelo único, certo ou errado, para se disputar a vitória num partida de futebol — o que existe são diferentes culturas e estratégias para se fazer isso;
  • A beleza está na eficácia e na inteligência de quem compreende o jogo, se adapta ao desafio e toma decisões mais assertivas — mas, o talento individual sempre será um fator diferencial, preponderante.

Muitos exaltam, com justiça, a Holanda de 1974 e o seu chamado “carrossel holandês”. No entanto, poucos — inclusive no próprio Brasil — reconhecem o gênio tático de Zagallo, o homem que criou o 4-4-2 com o falso ponta-esquerda e ousou colocar Rivelino e Pelé no mesmo time, quando quase todos achavam que só poderia jogar um ou outro.

Mais ainda: aquele antológico quarto gol contra a Itália na final da Copa de 1970 — com a arrancada de Carlos Alberto Torres e o passe milimétrico de Pelé — não foi um lance espontâneo, apesar da genialidade dos seus executantes. Foi fruto de um estudo tático minucioso da comissão técnica:

  • Carlos Alberto Parreira, então auxiliar, observou que a Itália fazia marcação individual no próprio campo defensivo. Assim, Jairzinho foi orientado a “arrastar” o lateral esquerdo italiano para o lado oposto, abrindo o espaço exato para a chegada do nosso “capita”;
  • O resto foi execução perfeita  — passe, finalização, história.

O futebol brasileiro, entre tropeços e lampejos, segue sendo uma fonte inesgotável de criatividade, estratégia e ousadia.

Falta-lhe, com certeza, mais organização institucional e seriedade administrativa. Mas sobra talento, alma e um profundo entendimento do jogo — que o mundo, com frequência, e muita arrogância, insiste em fingir que “esquece”.

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