Magnífico Reitor,
Em primeiro lugar, na qualidade de representantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a maior instituição federal de ensino superior do Brasil, e da ADUFRJ (Associação dos Docentes da UFRJ), é nosso dever cumprimentá-lo pela corajosa atuação diante da truculência do Presidente Donald Trump ao tentar violar, por motivos torpes, a autonomia da instituição que dirige.
Sua atitude é um exemplo para o mundo de coragem e de fidelidade a princípios básicos que devem orientar as decisões dos verdadeiros humanistas e democratas.
Harvard é, indiscutivelmente, um orgulho para os Estados Unidos e seus cidadãos e cidadãs. É inacreditável que seja atacada de uma forma tão hostil pelo dirigente máximo do País onde fica sua sede centenária.
Os acadêmicos de todo o mundo estão estupefatos diante de tanta hostilidade, mesmo porque, a despeito da impertinência das provocações do Presidente, Harvard apresentou à sociedade um extenso relatório com a demonstração inequívoca de que, em seu campus, não existe sombra do antissemitismo ou de qualquer discriminação étnica alegados.
Ocorreu-nos, no contexto dessa perseguição, sugerir um acordo entre a centenária Harvard e a maior universidade federal brasileira, com o propósito de dar ao mundo uma demonstração efetiva, porém de caráter também simbólico, de atuação conjunta em favor da defesa dos povos a um tratamento igualitário, não obstante sua etnia, a cor de sua pele ou o sotaque de seu idioma.
Estamos propondo que, por esse acordo, a marca de Harvard seja estendida ao território brasileiro mediante um projeto comum para a criação da Universidade Harvard Brasil de Promoção da Paz Mundial e da Igualdade entre os Povos.
Em termos práticos, o Brasil se disporia a acolher todos os estudantes que o Presidente Trump expulsou ou pretende expulsar do território norte-americano, e outros estudantes internacionais.
Harvard, por seu turno, ofereceria na UFRJ aulas e planos de pesquisas presenciais ou virtuais – nesse caso pela internet – com base em seus currículos acadêmicos de seu corpo docente, se desejar, usaria no Brasil o espaço físico devidamente preparado e cedido pela UFRJ para acolhê-la, assim como para acolher estudantes de todo o mundo nas mesmas condições financeiras originais norte-americanas.
A UFRJ ofereceria, além disso, a infraestrutura física para uso ou expansão de laboratórios e equipamentos indispensáveis ao funcionamento do acordo.
Investidores privados, inclusive dos próprios Estados Unidos, poderiam participar dele em troca de ações do projeto, que seria formalizado como Sociedade Anônima.
A operação caberia aos professores e pesquisadores das duas universidades, em ações comuns ou individualmente.
Temos espaço para isso em nosso campus e, em tempo relativamente curto, podemos adaptá-lo e expandi-lo a fim de cobrir as necessidades financeiras para execução do acordo.
O corpo docente dedicado por Harvard às aulas virtuais ou presenciais no Brasil seria remunerado em valor básico no mínimo idêntico ao recebido nos Estados Unidos para serviços acadêmicos equivalentes, comprovados digitalmente.
A remuneração efetiva, porém, poderia ser maior, desde que a parte docente se organizasse num Arranjo Produtivo Local (cluster) – uma forma de organização empresarial usada no Brasil como Sociedade Anônima controlada acionariamente e dirigida pelos seus próprios trabalhadores.
Com isso, cada sócio participante obteria o salário básico específico de sua classe, valores extras individuais medidos por uma plataforma digital, e a mais valia coletiva (lucro) também medida pela plataforma – esta, porém, dividida igualitariamente entre os acionistas, inclusive investidores independentes externos.
As mensalidades pagas pelos estudantes, mais outras receitas comuns que podem ser obtidas mediante atividades acadêmicas – como desenvolvimento e criação de patentes, consultoria e assessoria a empresas privadas e públicas, realização de projetos e de programas especiais com a marca comum etc -, pagariam as despesas operacionais em montante abaixo das receitas operacionais.
A receita operacional líquida consistiria no excedente a ser dividido, conforme indicado acima, entre os participantes acionistas, de forma igualitária.
O certificado de conclusão dos cursos de pós-graduação seria emitido em nome das duas universidades, porém com maior destaque para Harvard, devido a sua longa tradição e inequívoco prestígio no mundo universitário e acadêmico internacional.
O acordo seria aberto à adesão, nessas mesmas condições, a outras universidades mundiais de prestígio como as da Inglaterra, França, Alemanha, Itália, China e Rússia, dando a ele uma característica inequivocamente internacional, e sempre com a ideia simbólica da promoção da paz entre os povos.
Caso esse objetivo vier a ser atingido, o nome da entidade resultante do acordo poderia ser convertido para Universidade Internacional Harvard Brasil para a Paz Mundial, com a intenção explícita de concorrer para a eliminação de todas as guerras na terra e de toda forma de discriminação entre pessoas e povos, a fim de promover a Paz.
O projeto também favoreceria, pelo exemplo, a redução das desigualdades nacionais e individuais de renda e de riqueza, tendo em vista o modelo de APL acima mencionado prevendo a distribuição igualitária dos resultados líquidos do empreendimento.
O valor simbólico dessa iniciativa seria extraordinário, considerando o triste período a que estamos assistindo de retomada de guerras e de conflitos, de intolerância social e até religiosa, e sobretudo de radicalismos políticos em várias partes do planeta.
Isso tem levado a um generalizado sentimento de insegurança para cidadãs e cidadãos, especialmente em nossas metrópoles.
Tanto o Brasil quanto os Estados Unidos têm sido vítimas da radicalização e violência políticas sem precedentes, o que reclama um incentivo para a Paz.
Aguardamos, ansiosamente, sua avaliação e contatos.

