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Exportando Talentos, Podemos Até Ganhar Uma Grana, Mas Ficamos no Prejuízo. Por Ricardo Guerra

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O Fluminense perdeu a semifinal da Copa do Mundo de Clubes de Futebol, com dois gols marcados por um jogador adversário que, ironicamente, é cria de Xerém — formado nas categorias de base do próprio clube.

A cena é simbólica: exportamos talento ainda em formação. Até ganhamos uma quantia considerável de dinheiro, mas… e depois? Colhemos as consequências em campo e perdemos oportunidades de conquistar títulos e muito mais receita.

O futebol brasileiro espelha a lógica da nossa economia dependente: exportamos matéria-prima — seja minério, soja ou jogadores — e deixamos de colher os frutos com valor agregado:

  • O que se vê é um modelo de desenvolvimento subordinado, onde o Brasil forma, mas quem colhe são os grandes centros;
  • Seja na indústria, seja nos gramados europeus.

Vendemos nossos jovens cada vez mais cedo, como ativos em leilão, e depois assistimos de longe ao brilho que poderia — e deveria — ser nosso:

  • Um processo que não começou agora;
  • Foi institucionalizado com as famigeradas Leis Zico e Pelé, que, sob o pretexto de modernizar o futebol, enfraqueceram os clubes brasileiros ao destituí-los de sua capacidade de gerir e reter seus talentos.

Enfim, transformaram o atleta em mercadoria e o clube formador em coadjuvante — preparando, investindo e sofrendo para depois ver o retorno esportivo escapar pelas brechas da legislação.

Mesmo assim, mais uma vez, o Flu surpreendeu. Apesar de sair atrás no placar na parte inicial da peleja, a equipe das Laranjeiras deu um verdadeiro calor no excelente, bem treinado e milionário Chelsea:

  • O time não se intimidou, jogou de igual pra igual;
  • Manteve sua coragem, sua camisa e sua tradição — e quase empatou o jogo no primeiro tempo.

Renato, como de costume, colocou o time pra frente, organizou uma equipe bem postada e, mais uma vez, mostrou por que é um dos melhores treinadores de futebol do planeta:

  • Com ele, o Fluminense não joga apenas com a bola, mas com alma — que, apesar de não ser contabilizada em nenhum orçamento, muda a história e a dinâmica do jogo;
  • E se o resultado tivesse sido outro — com a vitória do Fluminense — não seria nenhum absurdo, pelo contrário, seria a consagração de um futebol encantador, ofensivo e valente, digno de quem honra sua camisa e desafia a lógica do mercado com talento, coragem e identidade.

O Fluminense mostrou que, mesmo em um sistema desigual, ainda é possível jogar bonito e lutar de cabeça erguida. E isso, por si só, já é uma vitória, mas é preciso fazer uma reflexão mais profunda: até quando aceitaremos ser celeiro do mundo, quando temos tudo para sermos protagonistas?

A lógica de exportar talento cru e importar espetáculo pronto é o retrato de um país que insiste em abrir mão do seu próprio potencial.

O Fluminense mostrou que temos escolas de futebol, temos treinadores geniais, temos paixão, técnica e ousadia — falta apenas um projeto nacional que valorize o que é nosso antes que vire apenas vitrine para os outros.

  • Enquanto o Brasil não romper com essa lógica extrativista — no esporte, na economia, na cultura — seguiremos aplaudindo conquistas alheias e lamentando o que poderia ter sido: Precisamos decidir se queremos continuar vendendo o futuro em nome do presente;
  • Ou se vamos, enfim, construir uma Nação que investe no que tem de melhor e colhe os frutos aqui mesmo.

Riqueza não nos falta. O que nos falta é gestão para exercer nossa Soberania — Soberania para decidir onde, como e quanto investir, quando preservar e quando vender, e sobretudo, para acreditar que podemos — e devemos — ser os protagonistas da nossa própria história. 

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