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Tensões históricas na globalização. Por Rodrigo Medeiros

Rodrigo Medeiros é professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e editor da Revista Interdisciplinar de Pesquisas Aplicadas (Rinterpap)

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Os rompantes decisórios da administração norte-americana de Donald Trump revelam algo a mais do que incompetência e loucura.

Muitos analistas buscam decifrar os métodos por trás da grotesca figura do presidente dos Estados Unidos.

O presidente seria uma personalidade política farsesca em sintonia com o tempo de questionamentos da globalização neoliberal?

Trump anunciou tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras para os EUA.

Em artigo publicado no site Substack, no dia 9 de julho de 2025, o economista Paul Krugman afirmou que essas tarifas representam um “programa de proteção a ditadores”.

Segundo Krugman, o presidente dos EUA não disfarça que exista uma justificativa econômica para a sua decisão.

Para quem defende que as regras estáveis e previsíveis são importantes para o comércio e a paz internacional, Krugman destacou que essa não é a primeira vez que os EUA usam tarifas com um propósito político.

O economista avaliou sucintamente as prováveis consequências gerais para o caso brasileiro.

Krugman estimou, com base nos números da Organização Mundial do Comércio (OMC), que as exportações para os EUA representam menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Se os EUA “ainda tivessem uma democracia funcional, essa aposta contra o Brasil seria por si só uma base para um impeachment” de Trump, ressaltou o economista.

Tensões e descontentamentos em relação à globalização neoliberal não são novos.

Nesse sentido, o livro ‘A globalização foi longe demais?’, do professor Dani Rodrik, da Universidade de Harvard, trouxe uma análise profunda desde a sua primeira edição nos EUA, em 1997. Entre nós, a Editora Unesp publicou o livro em 2011.

De acordo com Rodrik, “a globalização engendra conflito dentro e entre as nações com relação às normas domésticas e às instituições sociais que as incorporam”.

Afinal, segundo o acadêmico, “barreiras reduzidas ao comércio e ao investimento acentuam a assimetria entre os grupos que podem cruzar as fronteiras internacionais e aqueles que não podem”.

Como lição da história, Rodrik afirmava então que “a globalização continuada não pode ser dada como certa”.

Em síntese, “a abertura amplia os efeitos dos impactos no mercado de trabalho”.

A globalização promoveu um grande nivelamento por baixo de salários e empregos, pois a integração econômica corroeu o poder de barganha dos trabalhadores.

Para responder ao questionamento do primeiro parágrafo, cito novamente Rodrik: “é plausível que a profunda sensação de insegurança sentida pelos participantes do mercado de trabalho atual esteja relacionada ao fato de que a globalização tornou seus serviços muito mais facilmente substituíveis do que antes”.

Em nova crise existencial, o capitalismo liberal precisa apelar para novos tipos de fascismos?

Segundo Fernando Rosas, no livro ‘Salazar e os fascismos’, editado pela Tinta-da-China Brasil, em 2023, “o fascismo enquanto regime é o compromisso do populismo com as oligarquias dominantes, no quadro de uma ordem nova moldada pela ideologia fascista”.

“O fascismo, enquanto movimento ou enquanto regime, é um produto do capitalismo”, escreveu o acadêmico da Universidade Nova de Lisboa.

Conforme ponderou o professor, em um balanço de história comparada, os regimes fascistas nascem da aliança entre as direitas tradicionais rendidas às soluções fascistas e os movimentos fascistas populares.

Os flertes desavergonhados das elites liberais com políticos extremistas de direita revelam que a democracia brasileira não se afastou do abismo.

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