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Trump Impõe Tarifa de 50% ao Brasil: É Preciso Separar o Alarmismo da Realidade. Por Ricardo Guerra

O Impacto Sobre a Economia é Relativamente Limitado e Pode Até Favorecer A Indústria e a Produção Nacional 

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A decisão do presidente estadunidense Donald Trump de incluir o Brasil entre os países que enfrentarão uma tarifa de até 50% sobre produtos como aço, alumínio, carros e componentes industriais gerou preocupação imediata em certos setores da mídia e do mercado:

  • Mas é preciso separar o alarmismo da realidade;
  • A verdade é que o impacto direto sobre a economia brasileira é relativamente limitado, e, paradoxalmente, essa medida pode até favorecer o desenvolvimento da indústria e da produção nacional.

O peso real dessa medida gera mais barulho do que efeito.

E, ao contrário do que muitos imaginam, as exportações brasileiras que seriam atingidas por essa tarifa representam uma pequena fração do total exportado para os Estados Unidos:

  • Produtos como aço semiacabado ou alumínio primário, embora importantes para grupos específicos, não são o coração da economia exportadora brasileira;
  • A qual, segue ancorada em commodities agrícolas e minerais (soja, petróleo, minério de ferro, carne, celulose).

Além disso, grande parte das exportações de valor agregado do Brasil já enfrentava barreiras técnicas, tarifas menores ou concorrência acirrada no mercado estadunidense:

  • Ou seja, essa tarifa de 50% apenas oficializa um cenário que já era pouco favorável ao produto brasileiro nos EUA;
  • Portanto, mais importante que o impacto direto da tarifa é o sinal geoeconômico que ela representa.

A era do livre-comércio morreu e o fato é que esse arroubo “protecionista” lá fora exige soberania produtiva aqui dentro:

  • O mundo está entrando num novo ciclo de disputas industriais e tecnológicas, no qual protecionismo, nacionalismo econômico e reorganização das cadeias produtivas se tornam regra;
  • E o Brasil deve tirar proveito desse cenário para fortalecer seu mercado interno e reindustrializar-se com inteligência e autonomia.

Setores como, por exemplo, a siderurgia e metalurgia nacional podem crescer com o novo cenário:

  • Ao tornar o aço brasileiro mais caro nos EUA, Trump cria pressão para que o Brasil redirecione sua produção ao mercado interno e à América Latina;
  • E isso exige mais investimentos em infraestrutura, PAC, construção civil e naval para reativar a demanda interna pelo aço nacional – protegendo empregos e cadeias produtivas.

E ainda. Com o colapso, em andamento, do mito da globalização irrestrita, há espaço para o Brasil retomar sua produção de bens de capital e máquinas e equipamentos industriais, especialmente para a agroindústria e o setor energético. 

Além disso, a indústria automotiva nacional pode acelerar uma política de incentivo à produção local para o consumo interno e regional:

  • Cujo foco deve se voltar para veículos populares, ônibus elétricos, caminhões e peças, com maior conteúdo nacional;
  • Reduzindo-se, assim, a dependência de componentes asiáticos e importados.

Enfim, essa é uma oportunidade para substituir importações chinesas e tornar o país mais autônomo em tecnologia aplicada, através da substituição de importações em setores de tecnologia e energia.

Por exemplo, em vez de tentar competir diretamente com EUA e China:

  • O Brasil pode investir na produção nacional de painéis solares, baterias, equipamentos médicos, semicondutores básicos e fertilizantes;
  • Áreas onde o país é dependente mas possui conhecimento técnico e demanda crescente.

Resumindo, a tarifa de Trump é mais um sintoma de um mundo em transição e a hora é de abandonar ilusões e defender a indústria nacional:

  • Em vez de lamentar, o Brasil deve aproveitar a lição histórica – quem depende dos outros para produzir, perde;
  • Quem protege e desenvolve sua indústria, ganha soberania.

Já passou da hora de abandonar o dogma neoliberal da abertura irrestrita:

  • O Brasil precisa recuperar sua capacidade de planejar, investir e proteger com inteligência os setores que garantem trabalho, inovação e soberania;
  • E o BNDES deve voltar a ser a alavanca do desenvolvimento produtivo do país.

Não se trata de fechar a economia, mas de abrir os olhos: afinal, sem indústria forte, não há nação soberana — e sem soberania não há futuro possível.

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