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Tarifaço Imperialista Inviabiliza Tripé Neoliberal, Desindustrializa Brasil, Acelera Desemprego E Arrocha Salários. Por César Fonseca

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Fica bem claro que o tarifaço do presidente Donald Trump tem uma função específica, por trás de todo o barulho relativamente ao modo de sua ação imperialista, aparentemente, destemperada: transformar a periferia capitalista em mera consumidora dos produtos industrializados do capitalismo cêntrico.

Trata-se de um transplante inverso ao que se verificou quando os Estados Unidos descolaram o dólar do padrão ouro nos anos 1970, acompanhado da abertura comercial e de capital, no processo de expansão da financeirização econômica.

O Consenso de Washington, a partir dos anos 1980, forçou instalação do tripé neoliberal no capitalismo periférico, enquanto o capitalismo cêntrico ficou com o poder financeiro no sentido de determinar o processo de acumulação capitalista em escala global.

Esse mecanismo de expansão imperialista do capital financeiro, porém, desindustrializou o capitalismo cêntrico, especialmente, o americano, devido à emergência da China, que, ao contrário do Brasil, por exemplo, não se rendeu ao tripé neoliberal: metas inflacionárias irrealistas, câmbio flutuante e superávits fiscais.

A China ficou na dela, apostou nos bancos públicos e na tarefa de exercitar soberanamente a única variável econômica verdadeiramente independente sob capitalismo, que é a oferta da quantidade de moeda na circulação pela autoridade monetária, para:

1 – Elevar relativamente os preços;

2 – Diminuir relativamente os salários;

3 – Reduzir os juros para congelar dívida pública, e;

4 – Perdoar dívida dos investidores contratadas a prazo.

Dessa forma, os investidores chineses superaram rapidamente a crise bancária de 2008, elevando os lucros, empregos, renda, consumo e melhor distribuição de renda, porque aumentaram a produtividade, de um lado, e diminuíram, de outro, o tempo de trabalho e, consequentemente, jornada de trabalho, ao mesmo tempo que cresceram poder de compra dos trabalhadores.

Como os chineses, ao contrário dos americanos, não tinham como meta a economia de guerra, mas a proposição de expandir cooperação internacional, para competir, ganharam a corrida comercial e ampliaram a distribuição de renda.

ALTERNATIVA BRASILEIRA

Para correr atrás do prejuízo provocado pelo tripé neoliberal, cuja função essencial é a destruição do poder de compra dos trabalhadores, para aumentar a taxa de exploração de mais valia absoluta e relativa pelos capitalistas, a alternativa brasileira, no novo cenário protecionista, imposto pelos Estados Unidos, em busca de recuperação da indústria, é mudar a política econômica e abandonar o tripé.

Os salários, com o tripé, estão condenados a terem sua remuneração igual à produtividade marginal do trabalho, ou seja, sem reajuste real, apenas como preço de custo.

Nesse contexto, o argumento neoliberal é o de que o desemprego existente é sempre voluntário; se os trabalhadores aceitam o salário disponível, super arrochado pela superexploração, haverá, sempre, pleno emprego.

Vale dizer, o pleno emprego, do ponto de vista neoliberal, não é, em sua totalidade, aceito pelos trabalhadores, já que o salário é tido, apenas, como custo de produção e não renda que promove desenvolvimento sustentável e melhor qualidade de vida.

Desse modo, a industrialização, na periferia capitalista, tende a desaparecer, porque a financeirização descapitaliza totalmente os trabalhadores, beneficiando, tão somente, os rentistas e especuladores.

FENÔMENO GLOBAL

Como esse fenômeno, também, ocorre no capitalismo cêntrico, com a expansão da financeirização, que amplia a acumulação capitalista por meio do aumento da dívida pública, com especulação do juro, que cresce bem acima do PIB, acelerando a desigualdade social, o presidente Trump conquistou seu segundo mandato com a promessa de recuperar a indústria americana.

A guerra tarifária de Trump, que se amplia contra velhos aliados – México, Canadá, Europa e, agora, o Brasil, onde é acrescido fator ideológico gerado pela aproximação brasileira dos BRICS – tem objetivo claro: levar para os Estados Unidos as indústrias que migraram, depois que o império se descolou do padrão ouro, nos anos 1970, dando início à financeirização especulativa global.

Não é à toa que Trump disse em carta a Lula que se as indústrias migrarem para os Estados Unidos, lá receberão incentivos para produzir e gerar empregos.

AMPLIAÇÃO SEM LIMITE DO IMPERIALISMO

Portanto, a estratégia trumpista, promove, essencialmente, destruição dos concorrentes, no capitalismo periférico, de um lado, por meio do tripé neoliberal, e, de outro, continua ampliando economia de guerra, como fator de expansão e sobreacumulação de capital, tarefa só possível por meio da especulação, que aprofunda superexploração do trabalho, graças ao aumento da jornada de trabalho, com redução dos salários.

Contra esses dois movimentos, os países da periferia capitalista não conseguem sobreviver, salvo se transformando em colônia, meros consumidores da indústria que o protecionismo trumpista transplanta da periferia para o centro.

Para não se transformarem em semi capitalistas párias, incapazes de competir, têm, então, que mudar o modelo econômico baseado no tripé neoliberal.

É o que o presidente do BNDES, economista Aloizio Mercadante, está dizendo: o mundo assiste à desarticulação total do neoliberalismo, ao qual o Brasil está amarrado por intermédio do arcabouço fiscal-neoliberal, na tentativa de crescer com déficit público zero, ou próximo de zero, como está programado para 2025, ou superávit fiscal de 0,25%, previsto para 2026.

Tentar alcançar essas metas, depois que Trump baixou o tarifaço de 50% sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, torna-se impossível, mantido o tripé, que tende a levar a remuneração dos salários pela produtividade marginal do trabalho, como mero custo de produção, excluídos de qualquer valorização.

Nesse contexto, aprofunda-se, radicalmente, a insuficiência relativa de consumo, visto que passa a vigorar, em toda a sua crueza econômica, o conceito de produtividade marginal do trabalho, como está acontecendo, depois do golpe neoliberal de 2016, que derrubou Dilma Rousseff.

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