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Intimidação Trumpista Desperta Consciência Soberania Nacional. Por César Fonseca

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Foto PT

Diante do tarifaço trumpista imperialista, o Brasil pode ou não sofrer sacolejada na letargia política que tem vivido, desde que se submeteu ao Consenso de Washington, nos anos 1990, na malfadada Era FHC, que entregou de bandeja ao capital externo a Cia Vale do Rio Doce, maior mineradora do mundo, certamente, exploradora de terras raras, minerais estratégicos, hoje, caçadas pelo imperador Trump?

Nesse mesmo período, a China, que, também, como o Brasil, possui maiores reservas de terras raras, cuidou de fugir do Consenso de Washington e aprofundou sua independência política e econômica, razão pela qual se pontifica, hoje, como potência global, dando xeque-mate no império americano.

A cangalha do Consenso de Washington – metas inflacionárias, câmbio flutuante e superávit primário, compondo o arcabouço neoliberal restritivo ao desenvolvimento sustentável – baixou sobre o cangote brasileiro, para impor condições econômicas que levaram as lideranças políticas nacionais ao acomodamento diante do império.

Tal rebaixamento acabou por destruir o centro-direita, que perdeu credibilidade política, expressa na representação do outrora poderoso PSDB, levando-o à extrema direita, cujo destino foi apoiar o golpe neoliberal de 2016, que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, do PT, e levou o ultradireitista, Jair Bolsonaro, ao poder, em 2018, depois que o establishment prendeu Lula, proibindo-o de disputar a eleição.

Até a esquerda, rendendo-se a um pragmatismo eleitoreiro, cumpriu, de cabeça baixa, o roteiro do Consenso de Washington, submetendo-se ao tripé neoliberal, ao qual se encontra, atualmente, prisioneiro, contribuindo para sua perda de credibilidade, segundo pesquisas de opinião.

Vitoriosa com Lula em 2022, a esquerda e seus aliados progressistas, muitos de centro, como o PSD do vice-presidente Geraldo Alckmin, tiveram de recuar em suas propostas históricas, como valorização dos salários e de programas de fomento popular às rendas dos pobres e miseráveis, excluídos do modelo super concentrador de renda e promotor de desigualdade social, pagando o preço da queda de popularidade.

O presidente Lula continuou, relativamente, forte, o que demonstra, apesar do neoliberalismo imposto pela banca rentista, sua vitória em erradicar, pela segunda vez, a fome no Brasil, cacifando-se para a reeleição de 2026.

NOVO MOMENTO E OPORTUNIDADE HISTÓRICA

Mas, aí veio Trump com o seu tarifaço, no rastro da decadência imperialista americana, contribuindo para emergência de novas circunstâncias, cujo desfecho tende ao despertar do nacionalismo e da valorização das riquezas e potencialidades econômicas ameaçadas pelo vendaval trumpista.

O novo momento mostra a necessidade de o Brasil ter um norte desenvolvimentista – Plano Brasil, Brasil Nação etc –, que deixou de existir com a vigência do arcabouço neoliberal, de modo a liberar forças políticas internas que o trumpismo fascista desperta como imperativo categórico.

Se a China, sob pressão imperialista, resistiu ao tripé neoliberal, depois do crash de 2008 – repeteco do crash de 1929 –, fortalecendo mercado interno, com valorização do poder de compra dos trabalhadores, de modo a alcançar a maior renda per capita em paridade do poder de compra, por que, agora, com apoio da própria China, o Brasil, com Lula, não pode seguir o mesmo rumo, escapando do cadafalso trumpista?

Em entrevista, hoje, à CNN, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, colocou na mesa as mudanças à vista, impulsionadas pelo tarifaço trumpista; se o quadro permanece como está, a programação econômica, disse, não sofreria alteração, com as projeções já firmadas para condução da política econômica; no entanto, se Trump radicaliza, o quadro muda; o ministro admitiu providências em andamento para preservação dos empregos se forem ameaçados.

Estaria ou não a política econômica mudança para o país se adequar às novas circunstâncias, incompatíveis com o modelo neoliberal?

NACIONALISMO E SOBERANIA EM CENA

Trump impulsiona a vontade política nacionalista que se encontra adormecida.

Apavorada, a própria burguesia nacional, historicamente, vassala do império americano, sente o choque tarifário e vê no nacionalismo o rumo a seguir, como ensinou a Revolução de 1930, comandada por Getúlio Vargas e o trabalhismo nacionalista, que iniciou a industrialização brasileira.

O que Trump demonstra, para quem tem olhos para ver, é que o desenvolvimento nacional autônomo tem que se sustentar, prioritariamente, não na demanda externa, dependente do capital internacional, mas na demanda interna, dependente da melhor distribuição da renda nacional.

Seria ou não a saída para que o presidente Lula cumpra sua promessa de campanha eleitoral, garantindo ao povo comer picanha com cerveja nos finais de semana, algo impossível sob o arcabouço/calabouço neoliberal?

Portanto, sim, o Brasil pode negociar com Trump suas terras raras, mas, devidamente, processadas, industrialmente, para adquirir valor agregado, com valorização do valor-trabalho, valor que se valoriza, exponencialmente, de modo a libertar o povo da dependência externa, imperialista, como sinaliza o tarifaço trumpista.

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