O Brasil sofre hoje a mais descarada e abusiva intromissão na sua soberania, por um presidente dos Estados Unidos da América, como só vista no golpe de Estado de 1964, que derrubou o governo democrático do presidente João Goulart.
Na oportunidade, foi instalada uma ditadura de 21 anos, que matou, sequestrou, torturou, exilou e cassou mandatos de parlamentares e de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Na Corte, Evandro Lins e Silva, Hermes Lima e Vitor Nunes Leal foram as vítimas da ditadura militar, cassados durante aquele nefasto período, onde a prepotência dos fuzis e tanques calaram as vozes da democracia.
Não permitiremos nunca mais que o estrangeiro obrigue nossa Suprema Corte a claudicar diante de pressões alheias à pátria.
Meses antes do golpe de 1º de abril de 1964, o governo brasileiro teve suas portas fechadas em Washington e só alguns políticos golpistas tinham acesso livre à Casa Branca: Magalhães Pinto, governador de Minas Gerais; Carlos Lacerda, da Guanabara; e Ademar de Barros, de São Paulo.
Todos conspiradores ferrenhos pela queda da democracia no Brasil e favoráveis ao golpe de Estado e representantes dos banqueiros (Banco Nacional), dos corruptos (“rouba, mas faz”), dos jornais fascistas (Tribuna da Imprensa).
Eles se uniam nos salões do imperialismo americano, através das ações encobertas por IBAD, IPES e por recursos espúrios da CIA, usados em eleições nacionais, que geraram inclusive uma CPI, em 1963, presidida por Ulysses Guimarães. O relator era o deputado Rubens Paiva, morto por essas conspirações que levaram ao golpe e à deposição do presidente João Goulart.
As similitudes daqueles acontecimentos se espelham nos dias de hoje. Políticos e deputados brasileiros conspiram contra o Brasil, com o descaro da prepotência de um pretenso xerife do mundo, Donald Trump.
Ele prefere se intrometer na soberania de nosso judiciário, punindo ministros do Supremo Tribunal Federal, para defender um ex-presidente que desviou bens (joias e objetos) surrupiados da União, pertencentes ao Brasil, e os vendeu a receptadores dos Estados Unidos da América.
Parlamentares, como Eduardo Bolsonaro, trabalham descaradamente na conspiração contra nosso governo eleito, contra nossa soberania, contra a estabilidade democrática, contra o comércio exterior de nossos principais produtos de exportação, gabando-se de que quanto pior, melhor, para satisfazer sua “vingança”, desejando colocar um porta-aviões americano para derrubar nosso governo.
Interessante a imaginação desse indivíduo, que também se espelha em 1964, pois só faltou ele dizer que o porta-aviões sugerido fosse o “USS Forrestal” que capitaneava a “Operação Brother Sam”, que apoiou o golpe de Estado junto com outro porta-helicópteros, seis contratorpedeiros, submarinos e quatro navios tanque. Todos interviriam na queda do governo, caso houvesse resistência.
Unir o Brasil e seu povo não é apenas retórica, é a luta de todos nós para que não nos dobremos de joelhos por mais 21 anos de fascismo e ditadura.
Atrás da dita “esplêndida” democracia americana, estamos cansados de saber dos massacres do Vietnã, da Faixa de Gaza, da Indochina, dos golpes na América Latina, da Primavera Árabe, da Guerra do Golfo, da queda da Líbia, do Afeganistão, do Iraque e de tantas bombas americanas na cabeça de inocentes.
É a hora da resistência.
“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás!”.
*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

