Os analistas de economia em geral, na mídia de direita e, também, infelizmente, na de esquerda, progressista, na periferia do capitalismo dependente do capital externo, aprenderam, ideologicamente, que os países que acumulam superavit comercial sempre levam vantagem diante dos que agem ao contrário, os países capitalistas ricos, imperialistas, que acumulam déficit comercial.
Cantam diante do ensinamento, que aprenderam nos livros textos de macroeconomia capitalista, ensinados nas escolas americanas, esse equívoco fatal, como mostra a crise atual.
Os pobres, que exportam suas matérias primas, estão, essencialmente, transferindo riquezas para os ricos, enquanto os ricos pegam esses produtos primários, a preços baratos, industrializam-nos, agregam-lhes valores e vendem-nos manufaturados pelo dobro, triplo do preço aos periféricos empobrecidos, impondo-lhes deterioração nos termos de troca, por meio de moedas valorizadas.
É dessa forma que se eterniza a dependência econômica crônica dos subdesenvolvidos periféricos, como ensinam os próprios economistas e revolucionários do primeiro mundo, como Hjalmar Schacht, John Maynard Keynes, Trotsky, Lenin, Colbert etc, conforme explica Lauro Campos, em “A crise da Ideologia keynesiana”(2002, Ed Boitempo), marxista, ex-senador do PT-PDT, jamais lido pelos repórteres de economia formados na grande mídia conservadora tupiniquim.
Schacht, em “60 anos de minha vida”(Ed 34); Keynes, em “As consequências econômicas da paz”(Ed UnB); Trotsky, em “Revolução e Contrarrevolução na Alemanha(Ed Sundermann); Lenin, em “Imperialismo, etapa superior do capitalismo(Ed Alfa Ômega) e Colbert, “Mercantilismo”(Columbia University), dizem a mesma coisa: o colonialismo se expandiu com realização de déficits comerciais no capitalismo cêntrico e superávits no capitalismo periférico.
A IRA IMPERIALISTA DE TRUMP
Agora, o capitalismo cêntrico, a partir dos Estados Unidos, com Donald Trump, estão com medo dos superávits comerciais que acumularam, porque o efeito reverso deles é a desindustrialização, de um lado, e o acúmulo de dívida pública, de outro, proporcionados pelo dólar hegemônico, relativamente, valorizado, acumulador de riquezas, que levou, no limite, à financeirização econômica global.
O economista americano, Paul Krugman, prêmio Nobel de economia, e o famoso jornalista Martin Wolf, editor de economia do Financial Times, de Londres, mostram-se, agora(https://www.ft.com/content/ce960771-493b-422a-816d-6bfe8dcfd072?), excessivamente, preocupados com os rumos da economia mundial, marcados pelo confronto inevitável China x Estados Unidos.
De um lado, os americanos, graças ao dólar valorizado, para sustentar a hegemonia americana no pós-guerra, acumularam o maior déficit comercial do mundo, razão central da sua desindustrialização e do avanço do endividamento público, que gera a instabilidade financeira internacional; de outro, a China, que que fez sua revolução e fugiu do neoliberalismo, acumulou, opostamente, o maior superávit, responsável pela sua expansão comercial sem limites, porque trabalha com moeda desvalorizada, ganhando competitividade global.
Trump subiu ao poder, em 2024, pela segunda vez, com o discurso de guerra protecionista, para tentar reverter tal situação, responsável por colocar os Estados Unidos na rabeira da China.
A arma que o imperador levanta são as tarifas elevadas que espalham pelo mundo, para cobrar o que julga imposto justo cobrado pelos americanos, por terem garantindo aos demais países superávits comerciais, graças ao consumo americano, cujas consequências, no entanto, são o recuo competitivo das indústrias americanas.
ADVERSÁRIO INVENCÍVEL ECONOMICAMENTE
Porém, no caso da China, maior inimigo dos Estados Unidos, assim considerado por Trump, a tentativa de tarifar os chineses em até 150% não surte efeito; ao lado da desvalorização da moeda chinesa, o yuan, garantida pela emissão realizada por bancos públicos, os chineses dispõem, também, da matéria prima que industrializam, as terras raras, das quais a indústria americana é estruturalmente dependente.
Assim, se Trump ameaça Xi Jiping com sanções elevadas, leva o troco do mesmo tamanho, quando o líder chinês suspende exportação de terras raras processadas industrialmente para os Estados Unidos.
Os americanos não conseguem viver sem elas, pois afinal, como desenvolveram a vanguarda tecnológica sem as terras raras industrializadas em formas de chips, que comandam a nova economia mundial, substituindo, paulatinamente, a energia do petróleo, poluidora, que tende a se retrair proporcionalmente aos novos materiais eletro-químico-físicos que conduzem a conectividade revolucionária da nova indústria?
BRASIL NO MESMO BARCO CHINÊS
É nesse sentido que deve ser encarada, também, a luta de libertação econômica do Brasil, sancionado por tarifas de 50% sobre suas exportações para os Estados Unidos, como retaliação de Trump por estar o governo brasileiro aliado aos BRICS, cujos dois maiores sócios são China e Rússia, ambos aliados na vanguarda do comércio e das armas atômicas.
No caso brasileiro, Trump, com a sua prepotência, agiu, unilateralmente, de forma ideológica, para tentar dobrar o presidente Lula na sua luta política contra o ex-presidente Bolsonaro, direitista radical, como o titular da Casa Branca, seu aliado, de modo a destrona-lo do poder, usando as tarifas comerciais elevadas como arma de guerra.
Trump esqueceu que o Brasil, como a China, da qual é aliado nos BRICS, dispõe, também, das terras raras, que poderão ser industrializadas, se Lula e Xi Jinping firmarem acordo comercial estratégico.
A posição de altivez e proatividade exposta por Lula no embate com Trump, na última semana, transformou-se, portanto, em norte do discurso que o presidente brasileiro sinaliza para ser feito pelos BRICS, como a nova força econômica global.
A orientação de Lula ao seu governo, agora, é a de expandir as relações comerciais estratégias com os chineses, porque está sendo empurrado, nesse sentido, pelo imperador Trump, cujo objetivo central é o de mudar o regime político no Brasil, para colocar no poder Bolsonaro.
Para alcançar essa meta, o imperador não mede consequências, atuando para minar a soberania nacional, quando pune o Supremo Tribunal Federal por considerá-lo a serviço da esquerda lulista ao punir seu aliado direitista, golpista, marcado para ser julgado e preso por ter tentado dar golpe de estado contra democracia brasileira.
Trump vestiu o figurino de ditador contra o Brasil; não deixa dúvida quanto a tentar cumprir sua vontade imperial de colocar no poder brasileiro Jair Bolsonaro nas eleições de 2026.
O Brasil tem a força econômica contra a qual Trump quer dar o golpe, produzindo, contudo, a aproximação brasileira da China e da Rússia, no âmbito dos BRICS, como o novo veículo da multipolaridade global contra o imperialismo unipolar.
É a hora de virar o jogo, começando por industrializar as terras raras brasileiras, em parceria com a China, para evidenciais que o novo poder global está com quem detém as matérias primas estratégias, por meio das quais o Brasil acumularia superavit comercial, para afirmar sua soberania e independência, revertendo situação histórica de dependência.
