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Tarif“aço” dos EUA: Alerta Vermelho ou Sinal Verde para a Alavancar a Soberania Nacional? Por Ricardo Guerra

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A recente escalada tarifária promovida pelos Estados Unidos acende um sinal de alerta para o Brasil — não apenas por seus possíveis efeitos diretos e indiretos sobre a economia local e o comércio global, mas sobretudo porque expõe, de forma crua, a vulnerabilidade estrutural da, ainda, tão dependente economia nacional:

  • E, exatamente por isso, esse cenário pode ser encarado como uma rara oportunidade histórica;
  • A de repensar o modelo de desenvolvimento nacional e reconstruir as bases de uma economia autônoma, soberana e voltada para o interesse coletivo.

Nas últimas décadas, o Brasil ampliou a sua integração às cadeias globais de produção de forma ainda mais subordinada e deixou de produzir partes cada vez mais estratégicas da indústria — passando a se especializar na exportação de commodities agrícolas e minerais: 

  • Enquanto isso, importamos bens industriais com alto valor agregado;
  • Desde a tecnologia de maquinaria pesada, aos eletrônicos e fármacos.

O resultado é um país dependente de capitais externos, exposto às oscilações do mercado internacional e com sua indústria cada vez mais enfraquecida.

Para se ter uma ideia, em 1985, a indústria de transformação representava cerca de 25% do PIB brasileiro; hoje, mal alcança 11%:

  • Essa desindustrialização precoce, aprofundada pelas políticas neoliberais, fragilizou a capacidade do país de gerar empregos qualificados;
  • E também de inovar e crescer com sustentabilidade.

É justamente nesse contexto que as tarifas impostas por Trump podem representar muito mais uma oportunidade do que uma ameaça.

A decisão dos EUA de elevar tarifas e erguer barreiras comerciais, não apenas protegem seus setores estratégicos, mas sinalizam uma mudança no paradigma da globalização:

  • A era do “livre-comércio irrestrito” dá lugar a uma nova lógica de proteção nacional;
  • Orientada pela soberania tecnológica e a segurança industrial.

Para o Brasil, isso deve servir como um alerta — e também como um espelho. Como a dependência da indústria externa nos torna extremamente vulneráveis a qualquer reconfiguração global, o momento de reconfiguração geopolítica está a nos oferecer um espaço estratégico. Com os mercados tradicionais se fechando ou se reorganizando:

  • Abre-se a possibilidade de fortalecer o mercado interno;
  • Diversificar nossa pauta exportadora;
  • E investir em produção nacional com valor agregado.

A hora é de escolher entre subordinação e reconstrução nacional. O Brasil precisa decidir se seguirá como apêndice da economia global, preso à lógica extrativista e agrícola, ou se caminhará rumo à reconstrução de sua soberania industrial.

Para isso, é urgente um novo projeto de país — que envolva:

  • Um plano nacional de reindustrialização;
  • Nomeadamente com foco em setores estratégicos como fármacos, defesa, transição energética, eletrônicos e bens de capital.

Não podemos perder a oportunidade de implementar um modelo de proteção inteligente à indústria, como fazem hoje EUA, China, Índia e até a União Europeia:

  • Através de políticas de compras públicas voltadas à produção nacional;
  • Valorização da ciência, tecnologia e inovação;
  • E investir na integração produtiva com a América Latina, rompendo definitivamente a dependência do Norte Global.

Não se trata de fechar o país, mas de abrir caminhos próprios.

Nenhum país do mundo se desenvolveu com base apenas no livre mercado. Todos os que hoje ocupam posição de destaque no cenário internacional — dos EUA à China, da Alemanha à Coreia do Sul — fizeram isso por meio de planejamento estatal, proteção industrial e investimento maciço em capacitação tecnológica.

Soberania não se importa — se constrói. E as tarifas dos EUA escancararam uma verdade que muitos tentam esconder: o Brasil está excessivamente dependente e vulnerável. 

Mas há outra verdade, mais esperançosa: ainda temos tempo — e condições — de mudar esse destino.

A crise global pode ser a faísca que desperta um novo ciclo de desenvolvimento. Basta que o Brasil tenha coragem de abandonar o receituário falido do neoliberalismo e assuma, sem medo, um projeto nacional de reconstrução.

A nossa soberania não virá de fora, nem será dada de presente: ela precisa ser conquistada. E o momento de começar já passou da hora.

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