O Brasil é um paraíso — ainda em estágio embrionário, é verdade — mas um paraíso, sim. Temos muito a aprender, claro, mas também temos muito a ensinar ao mundo.
Quase todas as grandes civilizações foram erguidas pela guerra e para a guerra. Essa origem moldou povos que, ao longo dos séculos, buscaram o desenvolvimento material com disciplina e objetividade. Mas, nesse processo, perderam algo precioso:
- A espontaneidade;
- A centralidade do afeto;
- E o valor da descontração, do improviso e da amizade.
O mundo, porém, está mudando. Em breve, a vantagem material deixará de ser o principal diferencial entre as nações:
- A tecnologia e a automação reduzirão o tempo de trabalho, e as pessoas buscarão alegria, tranquilidade e sentido fora dele;
- Amizade, hospitalidade, irreverência, flexibilidade, tolerância e alegria serão os novos valores centrais das civilizações.
É aí que o Brasil se revela gigante — um país que acolhe, que sorri, que improvisa, que perdoa:
- Que convida para a mesa mesmo quando quase não há o que dividir;
- Um lugar onde o sol, a água e a diversidade natural se combinam com uma cultura feita de mistura — e não de conquista, de encontro e não de imposição.
Ao contrário de dois terços do mundo — marcados por culturas indo-europeias e outras tradições guerreiras, como as de judeus, japoneses e muçulmanos —, o Brasil não nasceu da espada.
Em síntese, o brasileiro não se vê como superior a outros povos; muitas vezes, até se sente inferior. E, paradoxalmente, essa humildade cresceu sobre um território que talvez seja o mais rico do planeta — mais fértil que as terras russas congeladas, com vantagens naturais comparáveis ou superiores às da China e dos Estados Unidos.
A nossa sociedade multiétnica soube fundir o cristianismo com uma alma que não compreende a guerra, nem mesmo a guerra civil.
Portanto, quando superarmos a pobreza e transformarmos nossa riqueza cultural e natural em um destino admirado por milhões, atrairemos não só turistas, mas pessoas em busca de viver e conviver aqui: nesse momento, poderemos ocupar outro papel no mundo, o de negociadores da paz.
Afinal, as guerras serão, cada vez mais, eventos perigosos e imprevisíveis. Criar novas armas não será apenas algo muito fácil e rápido, e controlá-las, provavelmente será impossível.
Aí, mais cedo ou mais tarde, a humanidade precisará sentar-se para conversar para se entender de verdade:
- E o Brasil, esse gigante empático e acolhedor, terá autoridade para falar — porque é um dos raros Povos que não vê a guerra como caminho;
- Que sabe, que a vida vale mais que qualquer vitória.
Chegou a hora de assumirmos essa vocação.
O mundo, um dia, nos chamará à responsabilidade. E, quando esse dia chegar, não será para responder com exércitos, mas com abraços, afeto e sorrisos.


3w3xmc
scfubd