Foto Agência Brasil
A aguda contradição capitalista está no ar: o império americano comandado por Donald Trump volta às leis mercantilistas do passado, com o tarifaço, e cria novas circunstâncias econômicas que aumentam a instabilidade no sistema financeiro; afinal a conta a pagar é a redução do nível de atividade geral, na periferia capitalista, que entra em choque com o regime neoliberal do arcabouço fiscal em vigor; de repente, o tripé econômico – metas inflacionárias, câmbio flutuante e superávit primário – ficou incompatível com o tarifaço, porque inviabiliza o sistema econômico, multiplicando crises.
As empresas, conjuntural e estruturalmente, tornam-se mais frágeis para a geração de lucros, cujos efeitos batem negativamente nas bolsas, afetando as cotações e o jogo da especulação.
A estratégia imperialista de Donald Trump de combater déficit comercial via choque tarifário global, que, simultaneamente, desvaloriza o dólar e eleva exponencialmente a dívida pública dos Estados Unidos, aumenta o grau de exploração do império sobre as colônias econômicas na periferia, no cenário da financeirização especulativa.
Emergem, incontrolavelmente, expectativas negativas que desorganizam planejamentos econômicos e financeiros das empresas, com reflexo na arrecadação tributária e nos investimentos.
A expectativa que se generaliza com o tarifaço é de desaceleração econômica na periferia capitalista nos próximos meses.
O Brasil, consequentemente, sofre, dado déficit financeiro elevado de 8% nominal do PIB, que obriga o governo, sob pressão dos credores, a pagar juros de 15%, incompatível com a estabilidade macroeconômica.
REAÇÃO NACIONALISTA
Penalizado, econômica e politicamente, por Trump, de forma aleatória, exorbitante, imperialista, o governo Lula parte para o nacionalismo e ampliação das relações com o BRICS – especialmente, China e Índia – para se proteger do império que quer derrubá-lo.
Washington e sua embaixada em Brasília não deixam dúvidas: querem desestabilizar o presidente brasileiro, aliado dos BRICS, e substituí-lo por aliado de extrema direita, como o ex-presidente Bolsonaro, assim como acontece na Argentina.
Com a arma do tarifaço, Trump quer aliados de ultra direita no Brasil para impor regime de rapina econômica que se expressa no tarifaço e na exigência de acesso às terras raras, como patrimônio seguro alternativo ao rentismo especulativo, candidato a abalos diante das novas circunstâncias extraordinárias.
A mobilização da opinião pública em favor da resistência de Lula ao imperador Trump é a prova de que com democracia não dá para impor aos países exportadores dose extra de sacrifício, salvo se for através de ditaduras, de subjugação das instituições democráticas, como o imperador tenta fazer, relativamente, ao poder judiciário.
Trump quer internacionalizar a Lei Magnitski de abrangência extraterritorial, passando por cima de leis nacionais etc; prepotência imperialista.
A jogada imperial trumpista deixa em transe a elite financeira tupiniquim, ao impor o tarifaço, que representa extração de renda, transferência de mais valia do capitalismo periférico para o capitalismo cêntrico americano.
Trump triunfou essa semana ao se vangloriar de que o seu tarifaço global produziu até agora 165 bilhões de dólares extra aos cofres do tesouro americano; ele passa a produzir política fiscal com o tarifaço, cobrando impostos em forma de tarifas alfandegárias.
TARIFAÇO SUFOCA ECONOMIA
A tentativa de Donald Trump, com o tarifaço, de reverter déficit em superávit comercial, ao mesmo tempo em que revigora a economia via produção de não-mercadorias(guerras), consumidas e financiadas pelo estado americano, ampliando dívida pública, aprofunda crise econômica na periferia capitalista.
Com o tarifaço, as expectativas são de abalos econômicos e financeiros, nos próximos meses; as quedas nas exportações para os Estados Unidos têm grande poder de estrago, aumentando desemprego e redução de salários por período incerto.
Trump, via tarifaço, aprofunda déficit fiscal no Brasil e leva o governo a ter de romper com o arcabouço neoliberal, para sobreviver.
A receita fiscal que deixa de ser arrecadada com redução das exportações aos Estados Unidos significa, na prática, um imposto extra sobre os trabalhadores.
O tarifaço, dessa forma, torna-se incompatível com a continuidade do arrocho fiscal neoliberal vigente; ele dobraria, sobre a população, a dose de sacrifício econômico, cobrando, do presidente Lula, alto custo político, se for mantido.
Por isso, a remoção necessária do arcabouço fiscal, como alternativa de vida ou morte para a economia, sufocada pelo rentismo neoliberal, agravado pelo protecionismo mercantilista trumpista, deixa os rentistas em polvorosa.
GLOBO E BANQUEIRO SE INQUIETAM
O mercado financeiro, viciado na cocaína dos juros altos, entra em total inquietação, diante do tarifaço trumpista.
O nacionalismo político que o tarifaço produz, elevando o apoio popular ao presidente Lula, coloca em pânico a Faria Lima.
O presidente do BTG, bilionário André Esteves, voz predominante na condução da Faria Lima, reuniu-se, extraordinariamente, no final de semana, com o ministro Gilmar Mendes, do STF; foi medir a temperatura da institucionalidade jurídica brasileira diante da pressão de Donald Trump; afinal o imperador americano abala os alicerces do arcabouço neoliberal e deixa o mercado à mercê da instabilidade especulativa incontrolável.
Também, o encontro extraordinário, na sexta-feira, dos donos da Rede Globo com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no auge da instabilidade produzida pelo tarifaço, arrola-se como circunstância extraordinária a abalar os nervos do mercado financeiro e midiático.
Os banqueiros estão assustados, porque aumenta a pressão dos empresários por subsídios, isenções fiscais, perdão de dívidas, créditos mais baratos, cujas consequências serão aumento do déficit público; a reação da banca é conhecida: exige mais juros para manter os lucros no rentismo especulativo.
Portanto, o estresse à vista do mercado financeiro decorre do receio dos rentistas de que serão pressionados a fazer sacrifício em forma de redução dos juros e a se submeterem à taxação sobre lucros e dividendos, como preço a pagar pelo tarifaço.

