E afinal, o que é o Paraíso Brasil?
Para mim é uma visão, mas cada um pode imaginar de sua maneira.
Acredito que o Brasil tem muito a ensinar ao mundo — mesmo ainda tendo muito a aprender.
Por mais improvável que pareça, nossa história e cultura carregam lições valiosas.
As grandes civilizações conhecidas foram construídas pela guerra e para a guerra, o que moldou profundamente suas populações.
O processo de desenvolvimento econômico nesses lugares impôs um alto nível de disciplina e objetividade, mas, ao mesmo tempo, reduziu a espontaneidade, a importância do afeto, da descontração, do improviso e da amizade.
As grandes religiões também carregam suas contradições, algo que se percebe de forma curiosa quando ouvimos como, por exemplo, os chineses falam delas.
Com a chegada da inteligência artificial e da automação em larga escala, as virtudes tradicionais da disciplina e do materialismo perderão parte de seu valor.
Em contrapartida, características como amizade, hospitalidade, irreverência, flexibilidade, tolerância e alegria tendem a ser cada vez mais valorizadas.
Isso porque as pessoas trabalharão menos e buscarão sentido, tranquilidade e prazer fora do trabalho.
Nesse cenário, países como o Brasil poderão se tornar destinos privilegiados para viver, visitar e conviver.
Além disso, a guerra se tornará cada vez mais perigosa, já que será fácil desenvolver novas armas e colocá-las em funcionamento.
A humanidade precisará, mais do que nunca, dialogar seriamente sobre a paz.
O brasileiro, que não compreende bem as razões da guerra e tem uma natureza conciliadora, poderá contribuir de forma decisiva — especialmente se tivermos superado nossa pobreza e nos tornado um polo cultural e turístico admirado mundialmente.
Pode parecer um sonho, ou até uma ideia maluca, mas é uma bandeira que pode dar sentido à vida de muitas pessoas.
Para mim, faz todo sentido.
E acredito que o Brasil tem uma posição única no mundo.
Somos uma sociedade multiétnica, não construída para a guerra, que herdou valores do cristianismo sem ter internalizado o espírito guerreiro que marcou outros povos.
A guerra civil não faz sentido para nós, e não nos vemos como superiores a outros — pelo contrário, muitas vezes nos sentimos inferiores.
Paradoxalmente, essa percepção de inferioridade surgiu mesmo estando sobre um território de imensa riqueza natural, talvez até mais do que China e Estados Unidos.
Um gigante como o Brasil pode ser autônomo em muitos aspectos e, por vezes, concentrar-se em seus próprios problemas.
Mas não pode se omitir indefinidamente diante das questões internacionais, nem achar que está imune a elas.
Em algum momento, nosso país terá de tomar posição — e fará diferença justamente por ser o gigante empático e acolhedor que é!

