O voto de Fux, no julgamento de Bolsonaro, não pode ser compreendido apenas como uma manifestação jurídica:
- Além de ajudar a manter vivo o projeto de poder da extrema-direita internacional para o Brasil e reforçar sua base social local (o bolsonarismo);
- Contribui para o agravamento do processo de desmoralização do próprio Judiciário brasileiro.
Trata-se de uma peça que favorece o projeto entreguista e reacionário da extrema-direita brasileira – subserviente aos donos do capital transnacional:
- Um projeto que mantém o país preso ao jugo do rentismo e do agronegócio – com fins apenas exportador;
- Perpetuando a nossa economia na base primária nos colocando perenemente dependentes e vulneráveis.
Mais do que uma decisão isolada, esse voto significa a preservação das engrenagens que sustentam os interesses dos setores mais atrasados da sociedade, em detrimento da Soberania Nacional e da construção de um projeto de desenvolvimento para o Brasil que valorize o trabalho, a ciência e a industrialização.
Ao fornecer combustível tanto para a continuidade da narrativa bolsonarista de perseguição judicial – quanto para o desgaste das instituições – a posição do ministro serve como catalisador da instabilidade política e do descrédito popular. Podendo indicar, também, uma dimensão política mais ambiciosa:
- Ao se alinhar de forma sutil com a narrativa bolsonarista, Fux não apenas preserva as bases do atraso do Brasil;
- Mas, talvez, ele esteja (também) tentando se habilitar como alternativa viável como candidato de direita, esperançoso por receber a bênção do bolsonarismo e se apresentar como herdeiro da agenda conservadora – que defende o desenvolvimento dependente do Brasil.
Com esse voto, em vez de seguir com um posicionamento que poderia indicar um freio de arrumação no caos político-jurídico promovido nos últimos anos, o Supremo reforça o cinismo e a descrença que corroem a nossa democracia: oferecendo terreno fértil para a extrema-direita se fortalecer e ampliar sua capacidade de mobilização.
Ou seja, conforme palavras de Luis Nassif, “esse voto de Fux não pode ser visto como um mero gesto de divergência jurídica. É, sim, um autêntico crime de lesa-pátria”, cuja sustentação, até citação de jurista nazista teve.
Diante disso, cabe à sociedade brasileira escolher: aceitar a tutela de um projeto reacionário que mantém o país amarrado ao rentismo, ao latifúndio e à monocultura de exportação — ou ousar construir uma sociedade soberana, que valorize o trabalho, a inovação e a reindustrialização – compatível com a grandeza do Brasil.
Para isso, figuras como Fux, Bolsonaro e seus asseclas precisam ser definitivamente defenestradas do ambiente político e jurídico do país.

