O capitalismo predatório não funcionou para a esmagadora maioria da população mundial, mas as classes usurpadas, que se sentem ressentidas – não conseguem compreender quais são os canais de expressão que, verdadeiramente, os representam:
- E, dessa forma, apesar da percepção crescente de que o sistema econômico global beneficia de forma desproporcional uma pequena elite;
- Vão sendo sequestradas por forças políticas tóxicas, que, sob o verniz de ruptura, lhes oferecem apenas mais exploração, submissão e destruição.
Assim, milhões de cidadãos — trabalhadores, jovens precarizados, pequenos empreendedores e até setores da classe média — passam a viver, de maneira ainda mais intensa, o peso da exclusão, da desigualdade e da insegurança social.
Não restam dúvidas que esse problema se agravou a partir do momento em que essas pessoas perderam suas instituições tradicionais de mediação – partidos políticos, sindicatos e movimentos sociais – que foram sendo enfraquecidos pelo avanço do neoliberalismo, pela financeirização e pelo bombardeio ideológico da grande mídia.
Sem esses canais, deliberadamente destruídos para isolar o povo, o ressentimento das massas se torna presa fácil para as correntes tóxicas de manipulação, que exploram seu desespero, e os arrastam para o abismo, afastando-os dos valores democráticos, destituindo-os da capacidade de empatia com aqueles que se encontram em situação igual ou pior que a deles – e, até mesmo, da preocupação básica, que normalmente as pessoas têm, com questões relacionadas aos direitos humanos.
Nesse ambiente as portas se abrem para o surgimento de falsos líderes que se apresentam como “antissistema” ou “salvadores da pátria”, mas que são (na verdade) agentes de um escuso projeto maior – que apenas visa manter a dominação da extrema-direita internacional e do capital financeiro transnacional sobre os povos do Sul Global:
- Alimentando o ódio e destruindo os laços comunitários;
- Para assim convencer justamente os mais prejudicados a sustentar sua própria exploração.
O Brasil é um exemplo claro disso. O bolsonarismo foi vendido como alternativa “antissistema”:
- Mas na prática apenas aprofundou a dependência externa do Brasil;
- Consolidando o rentismo e subordinando o país à extrema-direita global.
Por trás da retórica moralista e do populismo tosco, o bolsonarismo entregou o país ao capital financeiro, ao agronegócio predatório e às grandes corporações internacionais:
- Atacando universidades, sindicatos e movimentos sociais, desmontou políticas públicas e agiu para precarizar os direitos trabalhistas;
- Enquanto espalhava ódio contra minorias, criando uma cortina de fumaça para esconder a transferência brutal de riqueza para o topo da pirâmide social;
- Usurpando, como sempre, os desfavorecidos e explorados pelo sistema – de forma ainda mais avassaladora e cruel.
A manipulação da insatisfação das massas, implementada pelo bolsonarismo, representou a tentativa mais descarada de consolidar o Brasil como colônia do rentismo global, desmontando qualquer projeto de soberania nacional e aprofundando a dependência econômica do país. Mas esse não é um movimento que surgiu do nada:
- Ele foi gestado pela aliança entre elites econômicas locais, redes de desinformação e interesses geopolíticos estrangeiros;
- Pensado para ser laboratório para a instauração de um novo modelo de direita global, financiada e articulada por think tanks estrangeiros.
O desafio, portanto, é reconstruir canais de representação que devolvam voz às classes populares, reerguer partidos, fortalecer sindicatos, valorizar movimentos sociais e democratizar a comunicação.
A história mostra que nenhum povo permanece indefinidamente aprisionado. E cabe à nossa geração impedir que o Povo continue a ser capturado por forças que nada têm a oferecer além da submissão e da barbárie.
Em resumo, transformar a indignação das pessoas em Projeto de Nação, o ressentimento em energia emancipadora, e a exclusão em consciência e força coletiva para derrotar o rentismo, e, assim, reerguer a democracia e a Soberania Nacional.

