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Brasil, a Voz do Sul Global: o Desafio de Construir um Multilateralismo Real. Por Ricardo Guerra

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A defesa da soberania de cada Estado Nacional precisa ser o fundamento de referência para a criação de um sistema internacional equilibrado:

  • Um sistema que busca a viabilização de um modelo de governança capaz de enfrentar desafios comuns;
  • Dentre estes, as guerras, a desigualdade social, a pobreza extrema e a segurança alimentar, assim como o enfrentamento das pandemias e fortalecimento dos sistemas de saúde, e também, a segurança cibernética e a proteção de dados, a regulação da inteligência artificial e das novas tecnologias – sem reproduzir o domínio de poucos sobre a maioria.

Sem soberania não há governança legítima, e, num mundo onde a ordem Internacional encontra-se constantemente em crise, exemplos recentes demonstram como a governança ainda é marcada pela imposição e não pela cooperação:

  • A guerra na Ucrânia, devasta vidas e serve de pretexto para sanções unilaterais que fragilizam o direito internacional;
  • E os bloqueios contra Cuba e Venezuela revelam a face autoritária de um sistema que pune nações por não se submeterem aos interesses das potências;
  • Além disso, a corrida por minerais estratégicos para a transição energética ameaça repetir o padrão histórico de extrativismo predatório contra o Sul Global.

Isso tudo, revela um ambiente no qual se percebe que a verdadeira governança global não pode mais ser sustentada sobre bases que não possam garantir a participação igualitária de todas as nações –  e requer, urgentemente, o rompimento com essa lógica hierárquica que divide o mundo entre países que ditam as regras e outros que apenas as seguem.

Nesse cenário, a reforma das instituições multilaterais — como ONU, FMI e OMC — torna-se inadiável:

  • E o crescimento do BRICS, a atuação do G20 e a reorganização em direção a uma ordem multipolar mostram que é hora de reconstruir o multilateralismo em bases reais;
  • Não como fachada para os interesses do rentismo global.

Para o Brasil, este ambiente apresenta um dilema:

  • O risco de permanecer preso ao papel de exportador de commodities e dependente da lógica financeira global, perpetuando vulnerabilidades;
  • Ou a oportunidade de consolidar-se como voz independente e articuladora do Sul Global — defendendo um comércio mais justo, uma transição energética inclusiva e uma política internacional guiada pela cooperação entre os povos.

Entre os caminhos práticos que o Brasil pode seguir, destacam-se a transformação da transição energética em motor de reindustrialização e soberania tecnológica – e também:

  • O fortalecimento do Mercosul e a integração latino-americana – criando um mercado regional sólido para dar escala às empresas brasileiras;
  • A atuação como mediador de conflitos – reforçando a tradição diplomática de buscar soluções equilibradas para as contendas entre países rivais;
  • E a ampliação do alinhamento estratégico com o Sul Global – fortalecendo o BRICS e fóruns alternativos às instituições dominadas pelo rentismo financeiro.

Mais do que reagir ao jogo das potências, é hora do Brasil protagonizar a proposição de uma nova lógica: uma governança global feita para os povos — não para os rentistas:

  • Necessariamente baseada no respeito ao direito internacional;
  • E na valorização de um multilateralismo autêntico.

Enfim, no desafio de construir o multilateralismo real, cabe ao Brasil exercer o papel de ser a voz do Sul Global rumo a uma nova ordem mundial, multilateral, soberana e justa: apenas dessa forma, será possível transformar a conjuntura internacional em alavanca para o nosso desenvolvimento.

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