No dia 16 deste mês de setembro, na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Brasília foi realizada a 110ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.
Os pedidos de tombamentos de bens culturais brasileiros, majoritariamente propostos por cidadãos, individualmente ou em associações, estudados e instruídos pelo corpo técnico do Iphan afinal são levados para o reconhecimento dos conselheiros que decidirão se esses novos bens merecem fazer parte do patrimônio cultural portador de referência à identidade, ação ou memória de grupos formadores da sociedade brasileira.
Nesta última reunião do conselho o bem “Pedra Fundamental da Capital Federal”, foi reconhecido como um patrimônio a ser incluído nesse rol.
Trata-se de um monumento arquitetônico localizado em Planaltina, DF ali erigido e inaugurado em 7 de setembro de 1922, em comemoração do centenário da independência do Brasil e uma promessa para o futuro, de a capital aqui ser implantada, o que ocorreria quase 40 anos depois. Mas a semente já havia sido plantada.
Nada mais apropriado foi ter sido escolhido como conselheiro relator Cristóvão Buarque, que já foi reitor da Universidade de Brasília, UnB – e governador e senador pelo Distrito federal, o que mostra seu envolvimento com a capital federal.
Em defesa do reconhecimento, o relator, Ministro da Educação que foi, discorreu sobre a importância do marco histórico no passado, quando mais uma vez foram reforçadas a importância da transferência da capital do Brasil para o interior e a comemoração dos 100 anos da independência do nacional, no presente e no futuro, como um ponto relevante para a educação.
Esse marco, por si só já um monumento e, como tal, criado propositalmente para perpetuar fatos da memória coletiva, conta a saga do sonho, do ideal da criação de um país soberano.
Se o tombamento não ocorreu em 2022, bicentenário da independência, como queriam seus propositores, a comunidade de Planaltina/DF, hoje, em setembro de 2025 adquiriu um significado até mais forte, quando o Brasil reafirma com altivez sua independência em relação ao concerto das nações.
Brasília, 19 de setembro de 2025
Eneida Carvalho Ferraz Cruz
