O recente encontro entre Lula e Trump ultrapassa, em muito, o simbolismo de uma reaproximação diplomática:
- Trata-se de um momento que pode redefinir a posição do Brasil no cenário global;
- E, mais do que resolver disputas tarifárias, o foco da questão é saber aproveitar essa abertura para recolocar o País no rumo da reindustrialização, da agregação de valor e da soberania econômica.
Durante anos, o Brasil foi empurrado para uma condição de economia subordinada, exportadora de produtos primários e importadora de bens de alta tecnologia:
- Esse modelo — típico do receituário neoliberal — produziu dependência externa, desindustrialização e vulnerabilidade econômica;
- Sendo as tarifas impostas pelos EUA, sob o pretexto de disputas comerciais e geopolíticas, uma demonstração clara do quanto frágil se torna uma nação que não controla suas cadeias produtivas nem seus setores estratégicos.
Agora, com a reabertura desse diálogo, o Brasil tem uma janela histórica — que pode ser aproveitada para transformar uma crise comercial em um projeto nacional de fortalecimento industrial.
Nesse processo, é fundamental compreender que negociar o fim das tarifas, apesar de importante, não é suficiente, nem tampouco o cerne da questão:
- O essencial é vincular essa negociação a um novo ciclo de desenvolvimento industrial;
- No qual exportar signifique gerar empregos qualificados, inovação tecnológica e fortalecimento do parque produtivo brasileiro;
- Ou seja, inverter a lógica da dependência.
Em vez de oferecer nossas riquezas naturais brutas — minério, soja, petróleo —, é preciso propor parcerias tecnológicas e acordos de investimento que tragam produção, engenharia e conhecimento para o território nacional:
- Os minerais críticos que hoje interessam às grandes potências, por exemplo, podem ser o motor de uma política industrial robusta;
- Mas é preciso que sejam explorados sob comando brasileiro e com conteúdo local elevado.
O governo Lula, ao contrário de seus antecessores imediatos, parece ter a clareza de que soberania não se negocia:
- Sabe que é possível dialogar com os Estados Unidos sem abrir mão do projeto de um Brasil forte, industrializado e socialmente justo;
- Priorizando a retomada do investimento público, a valorização do trabalho;
- E, ao que tudo indica, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) aponta nessa direção.
Portanto, agora mais do que nunca, o Brasil precisa aproveitar essa oportunidade para usar o tabuleiro internacional como alavanca para o desenvolvimento interno, e não como instrumento de submissão comercial:
- A política externa precisa estar a serviço da reconstrução nacional;
- E o encontro com Trump só será verdadeiramente exitoso se servir para reafirmar esse caminho, e não para desviar o Brasil dele.
O eixo que conecta soberania, emprego e prosperidade é a reindustrialização. Se o diálogo com Washington ajudar a pavimentar esse caminho, então o encontro entre Lula e Trump poderá ser lembrado não como um gesto de conciliação, mas como o ponto de virada de um País que decidiu voltar a controlar suas cadeias produtivas e seus setores estratégicos — enfim, tomar as rédeas do futuro em suas próprias mãos.

