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Entre Civilização e Barbárie. Por Josemar Ganho

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Os recentes eventos no Rio de Janeiro, mais uma operação policial marcada por mortes, medo e desamparo, revelam a falência de um projeto civilizatório.

Quando uma vida é ceifada, não é apenas um corpo que cai: é toda a humanidade que se fere.

Quem salva uma pessoa, salva todas; quem mata uma, mata todas.

A cada tiro, a cada corpo estendido no chão, a civilização se apaga um pouco mais em nós.

Não se trata de um embate entre o bem e o mal, entre bandidos e mocinhos, entre o crime e a lei.

Trata-se, sim, de um confronto entre civilização e barbárie e, nesta guerra, ambos os lados se confundem.

Traficantes, milicianos, consumidores de drogas, agentes do Estado e cidadãos que assistem inertes fazem parte da mesma engrenagem.

Todos, de alguma forma, participam de uma estrutura que naturaliza a violência como método, a morte como solução e o medo como forma de governo.

O sentido civilizatório verdadeiro nasce do reconhecimento do outro como extensão de si.

Reconhecer no outro a essência que sou é o primeiro passo para uma nova ética do existir e do deixar existir.

Uma sociedade se regenera quando o olhar sobre o outro deixa de ser o da suspeita e passa a ser o da comunhão, quando o ser humano volta a ser o centro da vida, e não o instrumento ou o alvo de ideologias e poderes.

A reconstrução da paz não virá de cima, nem pela força.

Ela brotará de baixo para cima, de dentro para fora, dos meios comunitários, dos coletivos que resistem nas favelas, das mães que choram e ainda assim amam, das crianças que insistem em sonhar.

É nesse espaço do cotidiano que a civilização pode renascer, com justiça, solidariedade e empatia.

A morte nunca trouxe paz.

A vingança não cura, apenas perpetua o ciclo do ódio e da exclusão.

O amor, a consciência e a fraternidade são as únicas forças capazes de dissolver a barbárie e instaurar uma nova ordem de convivência humana.

Uma ordem em que razão e compaixão se unam; em que ciência e espiritualidade se reencontrem; em que liberdade, verdade e responsabilidade se tornem os fundamentos do viver coletivo.

É esse o caminho silencioso e luminoso que aponta para além da escuridão, o caminho de uma nova civilização.

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