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Lições do mestre Celso Furtado. Por Ceci Juruá

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Algumas lições de nosso mestre. *

Foram muitas , destaco algumas

1- O papel da História na sociedade

Tive muito cedo a intuição de que não é possível ser
cientista social sem uma visão de conjunto dos processos que é dada pela História.

As ciências sociais devem ser um um processo aberto de criação porque a sociedade é algo que os homens não param de refazer.

O desafio que enfrentamos nas ciências sociais é o de abordar problemas que ainda estão se formulando e elaborar métodos para aborda-los.

2-Estado e mercado

Pensar que o mercado vai substituir o Estado é uma ilusão.

São as grandes empresas que tem planejamento próprio que vão comandar o processo social.

As empresas tem uma lógica própria que eu respeito.

É a lógica do complexo multinacional, que age no quadro de sistemas jurídicos diversos , trata de maximizar vantagens atravessando fronteiras e ignora a racionalidade própria de cada país.

Por isso a economia deve ser vista como um ramo da Ciência Politica.

3-A Globalização

A formação de um sistema econômico mundial é processo antigo…não nasceu ontem…mas sofreu importante mutação na segunda metade do século XX com a emergência das empresas transnacionais como principais agentes organizadores das atividades produtivas.

A racionalidade econômica, que antes se definia no espaço nacional, passou a refletir parâmetros que independem de um quadro político definido.

O Estado nação foi instrumento fundamental de criação do mundo moderno.

É ele que está em crise.

Problemas são novos e complexos.

A racionalidade econômica atua em espaços diversos.

O conceito de produtividade social perdeu nitidez.

A visão macroeconômica é substituída pelo enfoque dos mercados.

A idéia de solidariedade social perde seu fundamento econômico.

A história do capitalismo é uma história de luta de classes.

4-INSTABILIDADE MACROECONÔMICA, LIBERALISMO E PRIVATIZAÇÕES.

O aspecto da globalização que se caracteriza pelo entrosamento dos sistemas produtivos leva a uma organização em escala mundial.

A outra globalização, a financeira e monetária, é dominada pelo capital especulativo, que está localizado em qualquer lugar, mas de preferência em paraísos fiscais.

É um capital que não tem cara, só pensa acurto prazo e pesa enormemente na utilização de fundos de pensão, que são hoje uma das principais fontes de liquidez internacional.

Seus funcionários querem vantagens a curto prazo … para estes o Brasil se tornou um negócio pouco seguro..do dia para a noite podem escapar bilhões de dólares… quando o país acordar, a situação já é outra

Na Telebrás havia empresas muito eficientes,e outras não.

As privatizações feitas pelo governo nos últimos 4 anos (isto é, desde os anos 1990 , CJ) criaram compromissos permanentes com o estrangeiro de
remessa de lucros.

O Brasil endividado pode se dar a este luxo? compromissos externos crescentes, sem prazo fixo como os criados pelas privatizações ?

5-DESEMPREGO

Hoje alguém pode em sã consciência falar em pleno emprego?

O desemprego estrutural foi um conceito inventado pelos anos 50… há um fundo do problema que se chama exclusão social.

Necessita-se de um novo projeto de sociedade.

O problema da agricultura também é político.

Haveria outras opções de emprego tão fácil como as da agricultura para milhões de brasileiros ?

6-OS PROBLEMAS DO FIM DO SÉCULO

O Estado não pode continuar quebrado como está.

Não é possível ter política fiscal independente sem equilíbrio
fiscal. … o fato é que o governo se endividou permanentemente.. a inflação era aberta e foi substituída por uma inflação embutida, que é o déficit em conta corrente da balança de pagamentos.

Esse é um desequilíbrio inflacionário … muitos economistas ficam perplexos.

Esse desequilíbrio é tão grave quanto a inflação.

No Brasil, há mais intranquilidade e incerteza porque não sabemos como financiar o déficit externo não queremos voltar à inflação.

Tudo passa a depender da boa vontade vontade dos credores…

É fundamental solucionar o problema de criação de empregos…não é problema a ser resolvido pelo mercado… é melhor fabricar automóveis acessíveis aos brasileiros do que lançar produtos de vanguarda poupadores de mão-de-obra.

Com o mercado em crescimento todos terão vantagens. e.. SOBERANIA E ENDIVIDAMENTO NÃO COMBINAM. CABE AOS POLÍTICOS E MAIS AINDA A TODA A SOCIEDADE, AVANÇAR SOLUÇÕES PARA ESSES PROBLEMAS.
___________ fim

* palestra por ocasião da inauguração do Instituto Celso Furtado /APD, proferida por mim em 30 de outubro último; desde o ano de 2023 sou coordenadora desse Instituto, setor da ACADEMIA PAULISTA DE DIREITO,
presidida por Dr. Alfredo Attié.

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