A escalada de tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela recoloca a América do Sul no centro das disputas geopolíticas globais — e coloca o Brasil, mais uma vez, no olho do furacão:
- Sob o pretexto de “defesa da democracia” e “segurança regional”, Washington ameaça Caracas;
- Aumenta sua presença militar na região;
- E busca legitimar, com o apoio de governos alinhados ou pressionados para isso, uma nova ofensiva contra um país que resiste há mais de duas décadas ao domínio do imperialismo estadunidense.
O que está em jogo, na realidade, são as vastas reservas de petróleo e gás venezuelanas, em um momento em que o Ocidente vive insegurança energética e o mundo multipolar — liderado por China e Rússia — avança sobre o hemisfério americano.
Em meio a esse tabuleiro minado, o Brasil, sob o governo Lula, tenta equilibrar-se:
- De um lado, precisa reafirmar a defesa da soberania dos povos e da integração latino-americana;
- De outro, precisa enfrentar pressões econômicas, diplomáticas e militares sem o risco de romper com Washington ou de Washington realizar esse rompimento.
Dessa forma, a crise venezuelana é, além de tudo o que foi dito, um teste de coerência para a política externa brasileira:
- Ceder à narrativa intervencionista estadunidense seria negar o princípio de autodeterminação dos povos;
- E significaria, também, desmantelar o esforço de reconstrução da Unasul e da Celac como espaços autônomos de concertação regional.
A história mostra que todo país latino-americano que tenta se emancipar economicamente é tratado como “ameaça” à ordem imperial. E o que os EUA estão chamando de “ameaça” em referência à Venezuela é, na verdade, a existência de um modelo alternativo ao que lhes é imposto pelo império — com erros e contradições, sim —, mas que, “ousadamente”, optou por colocar o petróleo a serviço do povo venezuelano.
Não há segurança regional sem soberania nacional e o Brasil precisa ser firme:
- Confrontar as ameaças dos porta-aviões e buscar a cooperação entre nações irmãs — com diálogo e respeito mútuo;
- Uma tarefa complexa e difícil, na qual, mais do que mediador, o Brasil precisa ser o farol da integração e da resistência soberana no continente.
Cabe a Lula reafirmar o papel histórico do país como voz dos que não se curvam — como guardião da paz que nasce da dignidade, não da submissão.
Se o império ameaça reacender o fogo da intervenção, que o Brasil reacenda a chama da união latino-americana.

