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INDÚSTRIA E COMÉRCIO (PR) | MODA & CIA | 07/11/2025. Tecelão de Curitiba apanha sonhos na China. Por Adélia Maria Lopes

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O Museu Nacional da Seda da China adquiriu duas obras do curitibano Renê Scholz, herdeiro da artesania de sua mãe, Zélia Scholz (1935-2021), a nº 1 da feirinha do Largo da Ordem.

Além de tecelão, ele é artista plástico e professor de artes.

De momento, as peças estão em São Paulo, na exposição sobre a história da Rota Marítima da Seda, uma das principais vias de comércio e intercâmbio cultural entre o Oriente e o Ocidente, que pode ser admirada no Museu da Imigração até 29 de março de 2026.

Renê, na verdade nascido em Mandaguari, ao confirmar que a matéria-prima vem de Maringá, observa que seu forte é lã de carneiro, mas passou a cardar também a fibra produzida pelo bichoda-seda após conhecer a produção do Casulo Feliz, criado por Gustavo Serpa Rocha em 1988.

As peças que vão para a China tiveram antes uma primeira exposição: foram produzidas em 2014 para um projeto educacional em Nova Esperança-PR, a capital da seda no Brasil, com exposição no Museu do Vale da Seda, em Maringá.

Diz ele: “Tenho usado a seda em pluma; eu cardo e uso nos meus panôs, xales, cachecóis e tapeçaria”.

Quando veio a proposta do Vale da Seda, o tecelão se fez artista e criou obras primas: esculturas com raízes secas recobertas por fios de seda e os próprios casulos.

Essas peças representam filtros de sonhos da princesa Si Ling Shi, a quem se atribui a descoberta do processo da seda.

E foi por puro acaso.

Ela, esposa do Imperador Amarelo, fundador da nação chinesa, ao derrubar um casulo dentro da xícara de chá percebeu que dali saia um fio – “devia chegar a um quilômetro de comprimento”, completa Renê.

Ao findar a exposição em Maringá, o agrônomo João Berdu Jr, na presidência do Instituto Vale da Seda, que desenvolve projetos para o polo de confecções da região, resolveu enviar um vídeo das peças à ISU- International Silk Union, com sede na cidade chinesa de Hangzhou, que por sua vez reenviou para a curadoria da mostra “Seda que une montanhas e mares: da China ao Brasil”, instalada na antiga Hospedaria de Imigrantes do Brasil, em São Paulo.

E não só foram aceitas, como vão compor o acervo do Museu Nacional da Seda.

Berdu conta que uma escultura do paranaense Valdir Francisco também está na exposição paulistana e seguirá para a China.

E revela que o Museu da Universidade Estadual de Maringá ficará com uma parte do acervo do Vale da Seda, para compor a projetada ala sobre a agricultura regional.

A lembrar: a sericultura é a atividade agrícola industrial mais antiga do mundo, surgida na China há mais de cinco mil anos.

E chegou ao Brasil no século XIX, onde o solo fértil e o clima úmido ofereceram condições ideais para a produção.

O Paraná, ainda que ameaçado pelo agrotóxico que mata as amoreiras e as lagartas, responde por mais de 85% da produção nacional.

Casulo Feliz, empresa de responsabilidade social, desenvolve todo o processo de fiação, tingimento, tecelagem manual e acabamento dos produtos OCF 100% seda.

Conheça toda a história dessa fibra que brilha, deste a invenção até os dias atuais, na exposição em São Paulo dividida em três módulos: A Origem da Seda, As Rotas da Seda e A Beleza da Seda.

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