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EUA e OTAN Usam o Discurso do “Narcoterrorismo” para Justificar Avanço Sobre a Amazônia – Ameaçando a Soberania Sul-Americana. Por Ricardo Guerra

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A ofensiva retórica que ressurge nos Estados Unidos e em setores da OTAN — agora articulada em torno da ideia de que a Amazônia seria uma “zona de risco” dominada pelo chamado “narcoterrorismo” — não é novidade na história das potências em busca de pretextos para avançar sobre territórios estratégicos.

A mesma lógica já foi usada no Oriente Médio, na África e em diversas regiões ricas em recursos naturais, sempre sustentada pelo discurso de “segurança global”:

  • O que estamos vendo, portanto, é uma tentativa, ainda que disfarçada, de transformar a Amazônia em área tutelada;
  • Submetida a protocolos internacionais que fragilizam a soberania dos países sul-americanos.

O Brasil, que é o país que detém a maior parte da floresta, precisa responder com clareza, firmeza e estratégia. Sendo a primeira tarefa, desmontar essa narrativa antes que ela se desdobre em ações práticas.

Isso exige que o Brasil lidere, de modo ativo, os debates em organismos multilaterais — ONU, OEA, MERCOSUL, UNASUL, CELAC e BRICS — para expor a instrumentalização política do termo “narcoterrorismo”.

A defesa da soberania precisa deixar de ser uma posição isolada:

  • E se transformar em agenda coletiva, amparada por resoluções e declarações formais que restrinjam intervenções unilaterais;
  • Quanto mais a disputa for multilateralizada, menores as chances de ações extraterritoriais travestidas de “cooperação”.

Mas não basta a diplomacia. É fundamental fortalecer a presença estatal na Amazônia:

  • Isso significa ampliar o efetivo e a inteligência da Polícia Federal, Ibama, Funai e demais órgãos civis;
  • Modernizar equipamentos;
  • Aperfeiçoar a fiscalização de fronteiras;
  • E garantir que qualquer parceria internacional respeite integralmente o comando, a legislação e os dados brasileiros. 

O Brasil não pode aceitar “ajudas” que venham acompanhadas de ingerência ou vigilância sobre atividades internas.

E, ao demonstrar capacidade própria, o país retira dos discursos externos o pretexto de que a região estaria “abandonada”:

  • Nesse sentido, proteger os povos indígenas deve ser um eixo central da soberania regional;
  • Protegendo seus direitos e reforçando o seu papel como aliados estratégicos do Estado brasileiro.

A demarcação de terras, a proteção às lideranças e o fortalecimento das políticas de saúde e fiscalização são, ao mesmo tempo, obrigação constitucional e estratégia geopolítica: uma Amazônia forte é uma Amazônia com seus povos fortalecidos.

Além disso, também é essencial construir uma agenda econômica soberana para a região:

  • Isso significa investir pesado em ciência, bioeconomia, biotecnologia, cadeias produtivas sustentáveis e processos industriais que transformem a floresta em riqueza local;
  • E não em “ativo apto para ser saqueado”.

Liderando soluções para desenvolvimento sustentável, desmonta-se argumentos que possam sugerir a “necessidade” de que a Amazônia “precisa ser tutelada” por potências externas: a autonomia tecnológica é uma fronteira tão estratégica quanto a proteção territorial.

Mas nenhum país sul-americano enfrentará essa pressão sozinho — e a integração regional precisa voltar a ser prioridade:

  • Reativar mecanismos de cooperação em inteligência, segurança, fronteiras e política externa — sob comando exclusivamente latino-americano — é a maneira mais eficaz de bloquear avanços narrativos ou militares feitos de fora;
  • Quando os países da região falam como bloco, a soberania se torna menos vulnerável.

É igualmente necessário iniciar uma ofensiva comunicacional baseada em dados e transparência:

  • Resultados de operações, índices de preservação, políticas públicas e projetos de desenvolvimento precisam ser mostrados ao mundo;
  • Informação objetiva desmonta ficções geopolíticas.

Ao mesmo tempo, o Brasil deve apresentar ao planeta um projeto positivo para a região:

  • Um modelo de cooperação internacional para preservação que respeite soberania;
  • Valorize conhecimento local;
  • E oriente investimentos sob o controle nacional local.

Por fim, sem qualquer aceno belicista, o país precisa reforçar seus instrumentos de dissuasão que incluem:

  • Vigilância por satélite nacional;
  • Logística integrada de fronteira;
  • Capacidade operacional própria e revisão de acordos que possam limitar autonomia.

Discutir soberania não é militarizar o debate — é impedir que outros o militarizem no nosso lugar.

A defesa da Amazônia, portanto, não é apenas uma questão ambiental ou territorial, mas um debate sobre o futuro político do Brasil e da América do Sul:

  • Enfrentar a investida imperialista exige diplomacia ativa, instituições fortes, ciência soberana, integração regional;
  • E um projeto de desenvolvimento que consolide a floresta como um patrimônio vivo — e não como um vazio geopolítico à espera de tutela. 

A Amazônia não é zona de tutela internacional, vazio geopolítico à espera de tutores — é território soberano e fundamental eixo da soberania do Brasil no século XXI.

E o Brasil precisa conduzir uma resposta firme a mais essa investida imperialista.

Isso não apenas por interesse próprio, mas pela consciência de que a Amazônia é parte central da nossa identidade nacional e regional, do nosso destino e do nosso papel no continente e no mundo.

A geopolítica não aceita vácuos.

Ou o Brasil ocupa, organiza e lidera a Amazônia, ou alguém o fará em seu lugar.

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