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A Teologia da Libertação e o Necessário Resgate do Espírito Transformador Que Ela Representa. Por Ricardo Guerra

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Eu sou cria da Teologia da Libertação.

Foi ainda menino, como aluno do Colégio Salesiano do Sagrado Coração de Jesus, no Recife, que tive meu primeiro contato com ensinamentos que ultrapassavam os parâmetros de uma educação formal tradicional:

  • Aliado a uma formação espiritual que não se limitava a rituais;
  • Éramos educados para olhar o mundo com responsabilidade, indignação e compaixão.

Com a Teologia da Libertação — movimento que nasceu da escuta do povo latino-americano, esmagado pela pobreza e pela exclusão estrutural — a  espiritualidade se materializou e fez história na minha vida:

  • Sua grande provocação foi simples e radical;
  • Que sentido tem a fé se ela não transforma a realidade?

O ano era 1974.

Lembro-me nitidamente de uma Campanha da Fraternidade que marcou minha infância e segue viva em mim até os dias atuais: “onde está teu irmão?”.

Era Jesus quem perguntava:

  • Aquela pergunta ecoava dentro de nós como um chamado ético;
  • Se eu não sei onde está meu irmão, se ignoro sua dor, então algo essencial na minha fé e na minha humanidade está faltando.

A Teologia da Libertação inspirou não apenas essa, mas tantas outras campanhas e debates — e, de forma decisiva, moldou profundamente minha visão de mundo.

Ali, nos pátios e salas do Colégio Salesiano, sob a orientação de padres e educadores atentos, aprendi que fé não pode ser um refúgio individual:

  • Ela precisa ser força de transformação;
  • Força que enfrenta injustiças, que denuncia desigualdades, que se compromete com os mais pobres.

Esse é um dos ensinamentos que carrego desde os tempos de estudante — a caridade é necessária, mas é insuficiente quando as estruturas continuam produzindo sofrimento:

  • A espiritualidade verdadeira busca justiça;
  • A fé viva atua na história, interfere no mundo e se compromete com quem está à margem.

A Teologia da Libertação foi — e continua sendo — muito mais que uma reflexão teológica: uma força ética e política que aproximou a Igreja dos trabalhadores rurais, dos moradores da periferia, das mulheres, dos negros e dos povos originários.

Foi dentro dessa atmosfera que aprendi:

  • Ninguém se salva sozinho;
  • E nenhuma sociedade será justa se deixar seus irmãos abandonados.

O Brasil continua a conviver com a fome, com a desigualdade extrema e com discursos de ódio — e os pilares da Teologia da Libertação permanecem essenciais:

  • Colocar a dignidade humana como fundamento;
  • O valor da vida, especialmente a vida dos mais pobres, no centro das decisões políticas e sociais;
  • Perceber que pobreza não é escolha nem destino individual, mas resultado de sistemas econômicos e políticos que concentram poder e riqueza;
  • E compreender que da organização do Povo depende o caminho para a libertação.

É esse espírito que precisamos resgatar. Não apenas nas igrejas, mas na sociedade como um todo.

Resgatar a Teologia da Libertação significa recuperar a coragem de olhar para o outro com humanidade, de recusar a indiferença, de reconhecer que o Brasil só terá futuro se cada um de seus irmãos tiver dignidade e oportunidade de viver plenamente:

  • Recuperar a coragem de enfrentar o presente;
  • Recordar que nenhuma fé é verdadeira se ignora a dor do Povo — e que nenhum País será justo enquanto aceitar a desigualdade como destino.

Hoje, mais do que nunca, precisamos resgatar as bases desses ensinamentos — não como um gesto de saudosismo, mas, sim, por necessidade, por urgência moral:

  • A vida dos mais pobres importa;
  • E é a partir dela que a justiça começa e que o Brasil vai reencontrar seu caminho de humanidade e de transformação real. 

Quando lembro o tema da Campanha da Fraternidade de 1974 — “Onde está teu irmão?” — vejo nele a síntese de tudo o que a Teologia da Libertação representa: uma fé que vê, que sente, que responsabiliza e que age, a fé que o Brasil precisa resgatar.

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