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Brasil deixa de gerar 226 mil empregos e arrecadar R$ 9,9 bi ao importar produtos de defesa, diz CNI. Por Rafael Vazquez

Segundo a CNI, o Brasil importa R$ 71 bilhões por ano em produtos de defesa e segurança, o que envolve itens que vão desde trajes antibombas até mísseis e peças e componentes para aeronaves militares

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Original em: https://valor-globo-com.cdn.ampproject.org/c/s/valor.globo.com/google/amp/brasil/noticia/2025/11/27/brasil-deixa-de-gerar-226-mil-empregos-e-arrecadar-r-99-bi-ao-importar-produtos-de-defesa-diz-cni.ghtml

O Brasil poderia gerar aproximadamente 226 mil empregos diretos e indiretos e arrecadar R$ 9,9 bilhões em tributos indiretos e contribuições sociais por ano se produzisse cerca de um terço dos produtos de defesa que, atualmente, são importados, segundo um levantamento feito Observatório Nacional da Indústria, da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Atualmente, de acordo com a CNI, o Brasil importa, em média, R$ 70,8 bilhões por ano em produtos de defesa e segurança, o que envolve itens que vão desde coletes balísticos e trajes antibombas até mísseis e peças e componentes para aeronaves militares. Mais de 90% dessas importações no setor são de uso dual, ou seja, com aplicação tanto militar quanto civil.

Na visão da CNI, essa característica amplia o potencial de desenvolvimento tecnológico e produtivo para setores como telecomunicações, aeroespacial, automotivo, cibernético e energético. “A nacionalização, mesmo parcial, pode reduzir a vulnerabilidade externa em setores sensíveis, estimular a inovação e fortalecer a soberania tecnológica do país”, afirma a nota do levantamento.

Para o presidente do Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa e da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Mário Aguiar, o Brasil já conta com base industrial de defesa capaz de produzir armamentos, radares, mísseis e aeronaves militares, mas ainda depende fortemente da importação de insumos críticos e produtos acabados.

“Compras públicas de defesa são um instrumento estratégico para estimular a produção nacional, adensar cadeias industriais e impulsionar pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) com efeitos multiplicadores em toda a economia”, afirma Aguiar.

Segundo o levantamento da CNI, se o Brasil começasse a produzir ao menos 30% do que, hoje, importa em produtos de defesa, os empregos criados para atender a essa nova demanda seriam de alta qualificação técnica, na maioria dos casos, por envolver atividades intensivas em tecnologia, engenharia e inovação. Os dados obtidos apontam que das 123 mil vagas formais que seriam criadas, 6.900 seriam ocupações ligadas à inovação, 2.426 estariam em áreas técnico-científicas ligadas à pesquisa e desenvolvimento (P&D), 5.393 para técnicos e tecnólogos e 1.241 para engenheiros.

“É um setor capaz de elevar o patamar tecnológico do país e criar oportunidades tanto para grandes empresas quanto para startups e centros de pesquisa”, diz Danilo Severian, especialista em políticas e indústria da CNI.

O país importa, em média, R$ 70,8 bilhões por ano em produtos de defesa e segurança que vão desde coletes balísticos e trajes antibombas até mísseis e peças e componentes para aeronaves militares — Foto: Divulgação/Fab

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