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A Desigualdade Não é Nosso Destino. Por Ricardo Guerra

O Brasil Precisa Escolher Ser Mais Justo e Mais Produtivo

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O Brasil não é um país desigual por acaso:

  • A desigualdade que marca nossa sociedade não é uma herança inevitável nem um fenômeno natural;
  • Ela é, antes de tudo, o resultado de escolhas políticas, econômicas e morais feitas de forma recorrente ao longo da nossa história — e reiteradas no presente.

Escolhe-se a desigualdade quando o sistema tributário penaliza quem vive do trabalho e protege quem vive do patrimônio:

  • Quando o arroz, o feijão, o gás e a energia carregam mais impostos do que lucros, dividendos e grandes fortunas;
  • Ou quando o Estado abre mão de bilhões em privilégios fiscais para poucos, mas exige sacrifícios permanentes de muitos.

Escolhe-se ser desigual quando o país adota taxas de juros estratosféricas que alimentam o rentismo, travam o investimento produtivo, encarecem o crédito e limitam o crescimento:

  • Essa opção não é neutra — e transfere renda da economia real para o topo da pirâmide;
  • Aprofundando a concentração de riqueza e enfraquecendo o desenvolvimento nacional.

A escolha pela desigualdade é reafirmada, também, quando se trata políticas sociais como gasto supérfluo, e não como investimento estratégico — quando o combate à pobreza é criminalizado no discurso público, enquanto subsídios e benesses aos mais ricos são naturalizados como “necessários para a estabilidade do mercado”.

Nada disso acontece por falta de conhecimento. O Brasil já demonstrou, em diferentes momentos, que sabe reduzir desigualdades quando prioriza o emprego, valoriza o salário mínimo, investe em políticas públicas, fortalece a indústria nacional e amplia a proteção social:

  • Os resultados foram crescimento;
  • Inclusão;
  • E melhora real das condições de vida da população.

Ou seja, insistir no modelo de organização econômica e social instituído quase que perenemente no Brasil é uma escolha desastrosa que favorece poucos, compromete o futuro do país e corrói o tecido social.

  • Um país que aceita a miséria como normalidade e o privilégio como regra  não fracassa por falta de recursos;
  • Fracassa por falta de vontade política.

Romper com essa realidade exige coragem. Coragem para enfrentar interesses estabelecidos e rever prioridades, recolocando o Estado a serviço da maioria.

A pergunta que permanece é: por quanto tempo ainda aceitaremos essa escolha?

O Brasil precisa escolher romper com a lógica que naturaliza a exclusão e trata a desigualdade como destino — e passar a se empenhar para construir um Estado que tribute de forma justa, que alivie o peso sobre quem vive do trabalho e cobre mais de quem concentra renda, patrimônio e poder:

  • Colocar o desenvolvimento produtivo acima da especulação financeira;
  • O emprego acima do rentismo;
  • E a vida acima do lucro imediato.

Entender, definitivamente, que políticas sociais não são caridade mas alicerces de uma sociedade estável, dinâmica e menos violenta:

  • Reconhecer que educação, saúde, ciência, infraestrutura e proteção social não empobrecem o país;
  • Ao contrário, políticas sociais ampliam oportunidades e fortalecem a nossa soberania.

Nada disso é utopia. É uma decisão política — uma escolha de prioridades:

  • Não apenas uma escolha do Estado;
  • Mas  também de toda a sociedade que, muitas vezes, tolera privilégios e naturaliza injustiças.

O Estado reflete correlações de força, valores e disputas presentes na própria sociedade. Portanto, o que está em jogo não é apenas a viabilidade econômica, mas a coragem moral de enfrentar privilégios históricos e os interesses dos que sempre lucraram com a desigualdade no Brasil.

A desigualdade não é o nosso destino, é apenas a escolha que ainda não tivemos coragem suficiente de abandonar, e já passou da hora da sociedade brasileira escolher construir um país mais justo, mais produtivo e mais humano.

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