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César Benjamin 18/12/2025

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Dificilmente algum país sofreu uma massa de sanções quanto a Venezuela nos últimos anos.

Suas reservas internacionais foram confiscadas.

Seus ativos no exterior, como as instalações da PDVSA nos Estados Unidos, foram expropriados.

Perdeu acesso ao sistema SWIFT, que coordena o sistema de pagamentos internacionais; deixou de exportar e importar.

E assim por diante.

O objetivo era explícito: provocar uma crise econômica e social de tal monta que tornasse inviável a vida social e a estabilidade do sistema político.

Nenhum país seria capaz de resistir a uma ofensiva desse porte.

Somou-se a produção e difusão de enorme massa de informações negativas de todo tipo, como parte do projeto de desestabilização.

O mesmo estratagema que os Estados Unidos usaram quando preparavam ataques ao Vietnã, ao Iraque, à Líbia, à Iugoslávia…

Foi um êxito: provocou-se, de fato, uma imensa crise, e mesmo dentro da esquerda formou-se uma maioria de pessoas que aderiu à histeria.

Poucos resistiram.

Fomos enxovalhados.

Mas, aos trancos e barrancos, a Venezuela resistiu, graças à politização de seu povo.

Conseguiu retornar à normalidade e formar uma sólida maioria favovável à revolução.

O que está em crise, agora, é o próprio projeto de desestabilização.

Foi necessário escalar para a opção militar, agora sem meias palavras.

Trump já diz que está enviando tropas para tomar o “nosso” petróleo, o “nosso” ouro, o “nosso” território.

“Nosso”, bem entendido, dos americanos.

A Venezuela tem que continuar a ser colônia, não pode ser país.

Trata-se de uma operação como aquelas que os europeus chamavam de “tomada de terras” no auge do colonialismo do século XIX.

A África sabe o que isso significa.

As pessoas honestas que se deixaram capturar pela avalanche de desinformação têm o dever de sair do silêncio.

Gritaram alto em apoio aos americanos na fase anterior.

Não podem se calar agora.

É inaceitável que a América do Sul seja o locus dessa retomada do colonialismo.

Já me referi diversas vezes sobre as consequências desse projeto em médio e longo prazo.

Ele pode inviabilizar todo o nosso século XXI, assim como o colonialismo europeu inviabilizou o século XX da África.

O problema central não é macroeconômico.

Não estou falando sobre tarifas ou assemelhados, mas sobre destinos.

Nessa questão se joga hoje, inclusive, o julgamento que deveremos fazer sobre o governo do Brasil, em perspectiva histórica.

A discussão rebaixada, vinculada à pequena política, predomina amplamente.

É uma tomada de posição.

Da pior posição.

Se Venezuela e Colômbia caírem, a fila anda.

O Brasil está nela.

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