Num país ferido pela desigualdade, como é o Brasil, o Natal nos interpela.
Enquanto alguns celebram a abundância, muitos repartem apenas o pouco que dispõem, milhões se apegam à esperança de contar com as sobras alheias — e outros nada têm por celebrar.
O presépio, não é um elemento figurativo, um ornamento, mas denúncia e convite: a criança pobre, acolhida à margem, espelha o povo que segue resistindo e renascendo entre a luta para sobreviver e a fé.
Jesus nasceu, viveu e morreu ao lado dos rejeitados, dos desprovidos. Que o sentido do Natal não seja, portanto, em sua memória, apenas um gesto sazonal — mas um caminho diário no qual a solidariedade deixe de ser exceção, e a justiça, uma promessa distante.
Que a luz que hoje acendemos à mesa não se apague amanhã, na indiferença cotidiana de sempre.
O verdadeiro sentido do Natal começa quando a fome nos indigna, a pobreza não nos acostuma, o amor se transforma em compromisso no coração dos indivíduos — e a justiça social se expressa por meio de políticas oficiais do Estado.
