O ciclo político inaugurado no Brasil a partir de 2018, produziu mais do que instabilidade institucional:
- Expôs, de forma crua, a fragilidade de “pactos democráticos” submetidos à lógica do extremismo;
- Ao dar voz a um movimento político cujas bases são a desinformação e a captura do Estado por interesses antinacionais e contrários ao bem-estar do povo brasileiro – o bolsonarismo.
O bolsonarismo, tentativa contínua de governar por meio do conflito, do ressentimento e da fabricação de inimigos, escalou um projeto de destruição das instituições, da confiança pública e da própria ideia de política como construção coletiva:
- Sem qualquer preocupação em oferecer soluções aos problemas estruturais do país, buscou apenas tensionar os limites da democracia;
- E promoveu o desmonte deliberado das capacidades estatais, o entreguismo das riquezas nacionais, a hostilidade permanente à ciência e à cultura, a naturalização da violência real e simbólica, e a destruição dos direitos duramente conquistados pelos trabalhadores;
- Determinando o aprofundamento das desigualdades no país.
A derrota eleitoral que sofreram em 2022 interrompeu esse processo, viabilizando a retomada do planejamento estatal, a recomposição de políticas sociais, e a reconstrução do diálogo institucional, mas não o encerrou:
- O extremismo ainda permanece ativo e organizado;
- E com capacidade de mobilização social e institucional.
Ou seja, embora as urnas em 2022 tenham freado o colapso institucional, o ecossistema do extremismo provou ser resiliente:
- Ele sobrevive nas franjas do debate público e na desinformação coordenada;
- O que torna 2026 o verdadeiro teste de resistência da nossa democracia.
As eleições gerais deste ano assumem um caráter decisivo, e, para além da disputa de poder, representam o momento de consolidação democrática e de encerramento efetivo de um ciclo autoritário e incisivamente contrário aos interesses nacionais do povo brasileiro.
O desafio colocado ao país ultrapassa, portanto, a preocupação com a alternância eleitoral:
- Trata-se de consolidar o que foi iniciado em 2022, tais como a reconstrução das políticas públicas e a recomposição da capacidade de planejamento do Estado, com a valorização do trabalho, da educação, da cultura e da soberania nacional;
- E afirmar um projeto de país ancorado na democracia substantiva — aquela que combina direitos políticos, justiça social e desenvolvimento com inclusão.
Enfim, o ano de 2026 não deve ser lido apenas como mais uma etapa eleitoral, mas como um ponto de inflexão histórica:
- A chance de reafirmar que o país aprendeu com a experiência recente e decidiu não repeti-la;
- Que o futuro não mais será sequestrado pelo extremismo, mas, sim, construído de forma democrática, justa e soberana por uma sociedade que escolheu avançar.
Estamos diante da oportunidade histórica de retirar o extremismo do centro do sistema político brasileiro — como uma exigência civilizatória — afirmando que o Brasil não mais aceitará projetos baseados na exclusão, na desinformação e na instabilidade permanente.
2026 precisa ser o ano em que o Brasil assumirá, decididamente, o compromisso com um processo de fazer política baseado num modelo de desenvolvimento econômico e humano que promova justiça social e oportunidades para todos os brasileiros: esse é o gesto político mais radical e necessário que o país precisa realizar nesse momento.


Muito bom! Exatamente isso!