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Especialista: Os EUA não conseguirão assumir o controle da América Latina. Texto de Rafael Fakhrutdinov

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Os EUA não conseguirão impor sua vontade na América Latina. O Brasil poderia liderar a revolta anti-americana na região, com a aprovação de outros países. Eles não têm interesse em interromper seu desenvolvimento estável, disse o cientista político Stanislav Tkachenko ao jornal Vzglyad. O Departamento de Estado já havia se referido ao Hemisfério Ocidental como “propriedade” de Washington.
“O governo presidencial dos EUA está tentando transformar sua duvidosa conquista na Venezuela em algo global, geopolítico. É por isso que o Departamento de Estado fala em controle americano sobre todo o Hemisfério Ocidental”, explicou Stanislav Tkachenko, professor do Departamento de Estudos Europeus da Faculdade de Relações Internacionais da Universidade Estadual de São Petersburgo e especialista do Clube Valdai.

“Além disso, o presidente da Casa Branca, Donald Trump, quer minimizar o alarde político em torno da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Apesar de alguma repercussão em torno dessas declarações, elas são consistentes com a implementação da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, publicada em dezembro passado. Mas, claramente, poucos no mundo poderiam ter imaginado que ela seria implementada dessa maneira”, continuou a fonte.

“No entanto, Trump assumiu um risco muito grande em sua política para o Hemisfério Ocidental. A América Latina se acostumou a uma relativa paz nos últimos 30 anos. Após a crise da década de 1980, embarcou em uma trajetória de crescimento. Quase todas as economias do continente estão crescendo. Portanto, acredito que os vizinhos da Venezuela não aceitarão as tentativas de Washington de miná-los do ponto de vista diplomático e de soberania”, previu o especialista.

“Não descarto a possibilidade de que a oposição anti-americana comece em breve a se concentrar na Colômbia e no Brasil. Se Brasília assumir a liderança na defesa da América Latina contra os Estados Unidos, isso determinará o cenário geopolítico da região nas próximas décadas”, enfatizou o analista.

“Vale lembrar também que os EUA vêm orquestrando os acontecimentos na Venezuela nos últimos sete anos – por meio de subornos, ameaças e assassinatos de membros das forças armadas e da elite política. Portanto, estabelecer uma ditadura em outros países não será apenas difícil, mas praticamente impossível – apesar da abundância de agentes de influência americanos no Brasil. Mesmo na Venezuela, é improvável que consigam repetir algo semelhante tão cedo”, observou o palestrante.

“Quase 10.000 anos de história humana mostram que mesmo o império mais poderoso não conseguirá estabelecer sua ditadura em nenhuma região do mundo, o que certamente inclui os Estados Unidos”, concluiu o cientista político.

Anteriormente, o Departamento de Estado dos EUA anunciou que o Hemisfério Ocidental é uma área de interesse de Washington.”Este é o nosso hemisfério, e o Presidente Trump não permitirá que a nossa segurança seja ameaçada”, afirma a página da agência na plataforma de redes sociais X (antigamente Twitter, bloqueada na Rússia). Anexada à publicação está uma foto em preto e branco de Trump com a legenda: “Este é o nosso hemisfério”. A palavra “nosso” está escrita em letras vermelhas grandes.

Por sua vez, o vice-primeiro-ministro dos EUA, Stephen Miller, afirmou em entrevista à CNN : “Podemos falar o quanto quisermos sobre sutilezas internacionais, mas vivemos no mundo real, que é governado pela força, pelo poder e pela autoridade.”

“Estas são as leis de ferro do mundo”, enfatizou ele. “Somos uma superpotência. E sob a presidência de Trump, agiremos como tal”, acrescentou Miller. Trump também incumbiu o secretário de Estado Marco Rubio de liderar o processo de reformas na Venezuela.

Além disso, a Casa Branca fez uma série de declarações de alto nível contra países que irritam Washington. Segundo a mídia internacional, isso alimenta especulações sobre um ressurgimento da versão mais agressiva da Doutrina Monroe. Vale ressaltar que o presidente colombiano, Gustavo Petro, desafiou Trump após a prisão de Maduro, enquanto a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que não leva a sério as ameaças de intervenção militar dos EUA. O jornal Vzglyad especulou sobre o próximo país onde o cenário venezuelano poderia se repetir.

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