Original em: https://monitormercantil.com.br/lula-deve-abandonar-a-quimica-e-adotar-a-geopolitica/
O ataque à Venezuela e o sequestro de Maduro aprofundam a ofensiva dos EUA para fortalecer a extrema-direita na América Latina. A ameaça direta a Gustavo Petro, presidente da Colômbia, serve também como indireta a Lula: a “química” alardeada por Donald Trump com o presidente do Brasil pode resultar em explosões; afinal, química também faz pólvora. Confiar em relações cordiais deve dar lugar a estratégia geopolítica.
Segundo a mídia, Lula teria ficado surpreso com a entrevista de Trump após sequestrar Maduro, destituindo um presidente “como quem demite um CEO”. E o bordão do empresário-apresentador-presidente – “você está demitido” – pode se voltar contra o presidente brasileiro.
Os EUA já interferiram ostensivamente nas eleições em Honduras, com ameaças de suspender as remessas de dinheiro de imigrantes, fundamentais para a economia, e com a soltura do ex-presidente Juan Orlando Hernández, condenado nos EUA a 45 anos por tráfico – medida que foi seguida pela definição da eleição a favor do candidato de Trump, Nasry Asfura, após quase 1 mês da votação, em contestadíssima decisão do Conselho Nacional Eleitoral hondurenho.
A pressão financeira dos EUA também foi decisiva para a vitória do presidente da Argentina, Javier Milei, nas eleições para o Congresso. Após tomar uma surra na região de Buenos Aires, Milei conseguiu o bom resultado graças aos dólares despejados pelos Estados Unidos, que retardaram uma crise cambial. A ameaça de suspender a ajuda foi essencial para Milei (noves fora erros do peronismo).
Este ano que se inicia terá 2 eleições fundamentais para a guinada à direita pretendida por Trump: Colômbia e Brasil. No país de Petro, o calendário eleitoral começa em 8 de março, com eleições legislativas. Em 31 de maio ocorrerá o 1º turno presidencial; se nenhum candidato obtiver maioria absoluta dos votos, em 21 de junho será realizado o 2º turno.
Petro não pode concorrer à reeleição, mas, apesar de perda na popularidade, tem – tal qual Lula aqui – a confiança de cerca de 1/3 do eleitorado. A oposição de direita está dividida, o que pode facilitar a vitória da esquerda; mas a mão de Trump pode fazer a balança se inverter.
É muito fácil o presidente dos EUA apontar o dedo de “narcoterrorismo” contra os colombianos. Trump reiterou ameaças ao dizer que uma operação militar contra a Colômbia “soa bem”. As Forças Armadas dos Estados Unidos já assassinaram supostos traficantes (“sem apresentar provas”, como gostam de dizer os jornalões brasileiros) nas imediações do país de Petro.
Entre as eleições na Colômbia e no Brasil, em outubro, o Peru também vai às urnas (abril e junho) totalmente dividido: nada menos do que 34 candidatos inscritos.
O embate no tarifaço deu a Lula o discurso da defesa da soberania; a química com Trump rendeu uma vitória parcial (mas que atendeu muito mais à solução dos problemas internos dos EUA do que ao Brasil, já que produtos industriais continuam altamente tarifados). O apoio à direita é uma ameaça que deve guiar a posição geopolítica, como veremos nas próximas colunas.
Rápidas
A Procuradoria Especial da Mulher do Senado Federal e a juíza do TJDFT Rejane Suxberger farão o lançamento da 2ª edição do livro Invisíveis Marias: histórias além das quatro paredes (Caravana) na Biblioteca do Senado *** A professora e escritora Jeanine Geraldo lança seu 4º livro, Retratos de Mulher (Urutau).
