O ataque direto perpetrado contra a Venezuela não é um fato isolado nem um problema “regional”.
Ele coloca em risco o Brasil, a América Latina como um todo e a própria arquitetura mínima de estabilidade internacional construída após a Segunda Guerra Mundial:
- Tratar essa hipótese com indiferença é repetir erros históricos;
- Cujas consequências o mundo já conhece bem.
A Venezuela está inserida no coração geopolítico da América do Sul. Qualquer escalada militar em seu território significa instabilidade nas fronteiras amazônicas, pressão migratória desordenada, militarização da região, e ruptura de cadeias energéticas e comerciais estratégicas.
Para o Brasil, isso representa riscos diretos à soberania, à segurança nacional e à integração sul-americana:
- Pilares históricos da política externa brasileira;
- Independentemente de governos.
A naturalização do abuso de poder por parte de grandes potências é algo muito grave:
- Sanções ilegais, bloqueios econômicos, ameaças de sequestro de chefes de Estado e intervenções “preventivas” vêm sendo aceitas como instrumentos normais da política internacional;
- E foi exatamente essa complacência que, no século XX, permitiu que projetos autoritários e expansionistas crescessem até se tornarem incontroláveis.
A história mostra que figuras autoritárias não surgem do nada — elas prosperam no silêncio, na conivência e na lógica do “não é comigo”:
- A América Latina conhece bem o preço dessa omissão;
- Golpes, ditaduras e décadas de atraso econômico foram, em grande medida, frutos de intervenções externas justificadas por narrativas morais ou de segurança.
Repetir esse roteiro no século XXI, agora em um mundo multipolar e altamente tensionado, é brincar com uma escalada de consequências imprevisíveis.
Até quando o mundo ficará inerte e organismos multilaterais, governos e elites políticas assistirão passivamente à erosão do direito internacional?
Nesse contexto, o Brasil não pode se limitar à retórica ou à neutralidade passiva:
- Pela sua dimensão territorial, peso econômico e tradição diplomática, tem condições de atuar como articulador de uma resposta política regional;
- Fortalecendo instâncias como a CELAC e os mecanismos de concertação sul-americana.
Mas é preciso reconhecer que, ao agir em defesa da Venezuela, o Brasil inevitavelmente se coloca no olho do furacão: podendo tornar-se alvo de pressões políticas, econômicas e diplomáticas das grandes potências.
Ainda assim, abdicar desse papel por medo do custo é aceitar a lógica da intimidação como norma das relações internacionais:
- Afinal, defender a Venezuela contra agressões externas não é defender um governo específico;
- É defender o princípio da soberania, da autodeterminação dos povos e da paz regional.
Quando um país é atacado sem reação coletiva, todos se tornam alvos potenciais. A pergunta que fica não é se haverá consequências, mas, quem será o próximo — ou o mundo perceberá tarde demais que a inércia também é uma forma de cumplicidade.

