Cadastre-se Grátis

Receba nossos conteúdos e eventos por e-mail.

Venezuela, América Latina e o Colapso do Direito Internacional. Por Ricardo Guerra

Mais Lidos

O ataque direto perpetrado contra a Venezuela não é um fato isolado nem um problema “regional”.

Ele coloca em risco o Brasil, a América Latina como um todo e a própria arquitetura mínima de estabilidade internacional construída após a Segunda Guerra Mundial:

  • Tratar essa hipótese com indiferença é repetir erros históricos;
  • Cujas consequências o mundo já conhece bem.

A Venezuela está inserida no coração geopolítico da América do Sul. Qualquer escalada militar em seu território significa instabilidade nas fronteiras amazônicas, pressão migratória desordenada, militarização da região, e ruptura de cadeias energéticas e comerciais estratégicas.

Para o Brasil, isso representa riscos diretos à soberania, à segurança nacional e à integração sul-americana:

  • Pilares históricos da política externa brasileira;
  • Independentemente de governos.

A naturalização do abuso de poder por parte de grandes potências é algo muito grave:

  • Sanções ilegais, bloqueios econômicos, ameaças de sequestro de chefes de Estado e intervenções “preventivas” vêm sendo aceitas como instrumentos normais da política internacional;
  • E foi exatamente essa complacência que, no século XX, permitiu que projetos autoritários e expansionistas crescessem até se tornarem incontroláveis.

A história mostra que figuras autoritárias não surgem do nada — elas prosperam no silêncio, na conivência e na lógica do “não é comigo”:

  • A América Latina conhece bem o preço dessa omissão;
  • Golpes, ditaduras e décadas de atraso econômico foram, em grande medida, frutos de intervenções externas justificadas por narrativas morais ou de segurança.

Repetir esse roteiro no século XXI, agora em um mundo multipolar e altamente tensionado, é brincar com uma escalada de consequências imprevisíveis.

Até quando o mundo ficará inerte e organismos multilaterais, governos e elites políticas assistirão passivamente à erosão do direito internacional?

Nesse contexto, o Brasil não pode se limitar à retórica ou à neutralidade passiva:

  • Pela sua dimensão territorial, peso econômico e tradição diplomática, tem condições de atuar como articulador de uma resposta política regional;
  • Fortalecendo instâncias como a CELAC e os mecanismos de concertação sul-americana.

Mas é preciso reconhecer que, ao agir em defesa da Venezuela, o Brasil inevitavelmente se coloca no olho do furacão: podendo tornar-se alvo de pressões políticas, econômicas e diplomáticas das grandes potências.

Ainda assim, abdicar desse papel por medo do custo é aceitar a lógica da intimidação como norma das relações internacionais:

  • Afinal, defender a Venezuela contra agressões externas não é defender um governo específico;
  • É defender o princípio da soberania, da autodeterminação dos povos e da paz regional.

Quando um país é atacado sem reação coletiva, todos se tornam alvos potenciais. A pergunta que fica não é se haverá consequências, mas, quem será o próximo — ou o mundo perceberá tarde demais que a inércia também é uma forma de cumplicidade.

Artigos Relacionados

Glauber Fortalece Pauta De Esquerda No Congresso

Foto Rede 98 Fortalece a democracia e as pautas de esquerda, comprometidas com o desenvolvimentismo tocado pelo presidente Lula com valorização do social relativamente...

Comentários Sobre Conjuntura Internacional, por Marcelo Zero

Essequibo i. Dizer que a questão de Essequibo é uma agenda de Maduro ou do chavismo seria a mesma coisa que afirmar que a questão...

Manifesto Paraíso Brasil

Paraíso Brasil é movimento coletivo, vivencial e de conhecimento. Se refere à experiência de cada pessoa no Brasil, e à coletividade desta experiência. A...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Em Alta!

Colunistas