O Brasil não vive apenas um processo de desmonte industrial:
- Vive um cerco econômico, tecnológico e financeiro, liderado pelo imperialismo estadunidense — sustentado internamente por uma elite rentista que lucra com a desindustrialização;
- Um ambiente econômico, político e geopolítico no qual a questão da industrialização não é apenas uma opção ideológica — é uma necessidade de sobrevivência nacional.
Nesse contexto, é importante compreender que, sob cerco, a busca pela chamada “eficiência de mercado” não deve ser a centralidade e o foco precisa ser a resiliência produtiva:
- Sendo preferível produzir internamente, mesmo com custos iniciais mais altos;
- Para se libertar da dependência de cadeias globais controladas por potências que usam comércio e tecnologia como instrumentos de coerção política.
O Estado brasileiro não pode continuar financiando a própria desindustrialização:
- É prioridade imediata reconstruir a indústria de bens intermediários do país;
- Fertilizantes, química pesada, aço, alumínio, insumos farmacêuticos e componentes industriais básicos — sem isso, o Brasil seguirá refém de importações estratégicas.
Energia barata é condição central para esse processo, e, como eixo estratégico, jamais poderia ser tratada como uma mercadoria qualquer, mas sim como vetor de soberania:
- Nesse sentido, a Petrobrás precisa focar sua atuação de forma integrada — com refinarias operando, petroquímica acoplada e gás voltado à indústria, não à exportação;
- Na mesma linha de raciocínio, a reestatização da Eletrobrás precisa ser considerada como diretiva indispensável para garantir planejamento energético, segurança do sistema e tarifas compatíveis com a reindustrialização.
O caminho da reindustrialização que passa pela engenharia reversa, pela capacidade de cooperação Sul-Sul e o uso intensivo das universidades públicas e das empresas estatais:
- Exige forte investimento público em infraestrutura, ciência e tecnologia;
- E articulação entre centros de conhecimento, institutos de pesquisa, estatais e indústria nacional no sentido de planejar o processo de substituição seletiva de importações;
- Não esquecendo que o BNDES precisa voltar a operar verdadeiramente como banco de desenvolvimento estratégico, com crédito direcionado e contrapartidas produtivas.
Além disso, a estratégia de reindustrialização deve priorizar setores nos quais o Brasil já possui vantagens comparativas, capacidade instalada ou potencial tecnológico latente:
- A indústria de defesa é um desses eixos centrais, não apenas por seu papel direto na soberania nacional, mas por seu efeito multiplicador sobre metalurgia avançada, eletrônica, materiais estratégicos, software e engenharia de sistemas;
- Da mesma forma, os complexos industriais de energia — petróleo, gás, petroquímica, energias renováveis e nuclear — devem ser tratados como plataformas industriais integradas, e não como meras cadeias exportadoras de commodities;
- Somando-se a isso há a necessidade de inserir o país de forma soberana na chamada Indústria 4.0, articulando automação, semicondutores, inteligência artificial, biotecnologia e digitalização produtiva a partir das universidades públicas, estatais e da indústria nacional, evitando a dependência tecnológica e a captura por plataformas estrangeiras.
Enfim, planejar a substituição seletiva de importações é um imprescindível movimento de defesa nacional. Dentre outras coisas, significa estabelecer tarifas temporárias, barreiras técnicas legítimas, e a utilização das compras governamentais sem complexo de culpa, conforme sempre fizeram (e fazem) os países centrais.
Os vendilhões da pátria, a serviço do capital transnacional, chamarão isso de protecionismo ou atraso — o discurso de sempre:
- Mas a história é clara, nenhum país se industrializou sob livre mercado irrestrito e submissão externa;
- Bem como, sem a valorização do trabalho por meio de salários fortes e mercado interno dinâmico.
Ademais, é preciso compreender que o processo de reindustrialização não avançará sem o enfrentamento direto ao rentismo interno:
- A Selic é hoje o maior inimigo da indústria brasileira;
- Com os juros elevados, o capital foge da produção — o país estagna.
Para romper com a lógica colonial que ainda estrutura nossa economia e nossa denominada elite é necessário recuperar o controle sobre energia, finanças, tecnologia e produção:
- Transformar o Estado em instrumento de planejamento e não em balcão de negócios do rentismo;
- E recolocar o trabalho, a indústria e a soberania no centro do projeto nacional.
A industrialização é o passaporte para a Soberania do Brasil e é preciso ter clareza que quem organiza o desenvolvimento não é o mercado, é o Estado.
Não há neutralidade possível nesse conflito.
Ou o país enfrenta o cerco e constrói poder produtivo próprio, ou seguirá condenado à dependência, à vulnerabilidade e ao atraso: a história comprova isso — o Brasil já trilhou esse caminho entre 1950 e 1980, quando construiu sua base industrial pesada, e a China faz isso agora, disputando abertamente a hegemonia mundial.
Industrializar não é uma escolha — é a única forma de garantir soberania, qualidade de vida e bem-estar ao povo brasileiro.

